30 de out de 2009

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27 de out de 2009

33ª MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA: CENTENAS DE FILMES NAS TELAS PAULISTANAS ATÉ 05/11

São Paulo lado A,B,C,D…

Acesse o site oficial da 33ª Mostra Internacional de Cinema Nada menos que 17 diferentes espaços em todas as regiões da cidade participam da 33ª Mostra Internacional de Cinema, que vai até o dia 5 de novembro com 350 filmes de todo o planeta.

Cine Bombril, Cine Olido, Centro Cultural São Paulo, Museu da Imagem e do Som, Cinemateca, Unibanco Artplex e até o vão livre o MASP exibem as centenas de produções participantes.

Neste ano, inúmeros destaques como: 
- o cinema sueco e a oportunidade de conhecer o trabalho do diretor Hasse Ekman, contemporâneo de Ingmar Bergman

- retrospectiva dos filmes dirigidos pelo grego Theo Angelopoulos. O diretor participa de master class na FAAP nesta 4ª feira, às 19h00, com exibição do filme Trilogia II: a poeira do tempoFanny Ardant

- na FAAP, sempre às 19h00, exibição de filme seguida de master class com o diretor sueco Tomas Alfredson (30/10), e com diretor e produtor italiano Gian Vittorio Baldi (04/11).

-  seleção de filmes em homenagem à atriz francesa Fanny Ardant (clássicos como “A mulher do lado” e “De Repente, num Domingo”, de François Truffaut)

- série de debates Os filmes de minha vida, onde diversos cineastas participam de bate-papo com o público, no Cine Bombril, sobre seus filmes preferidos. Entre os participantes, as cineastas Suzana Amaral e Eliana Caffé, além do apresentador Serginho Groisman, o crítico Luiz Carlos Merten e o jornalista Gilberto Dimenstein. Clique aqui e conheça a programação dos debates

- a inédita Mostra on Line, em parceria com a The Auters. Pela primeira vez no mundo, as produções serão disponibilizas gratuitamente pela internet para os 300 primeiros acessos, depois da primeira exibição do filme na programação da 33ª Mostra Internacional de Cinema.
Para os cinéfilos, o The Auters é um site imperdível porque reúne a maior comunidade de filmes independentes e clássicos, para assistir gratuitamente ou pagando míseros três euros por filme. Clique aqui e confira os dias e horários da Mostra on Line. Para assistir aos filmes, acesse www.theauteurs.com/saopaulo

Ah, só um detalhe: a mostra de cinema não é gratuita. Há diversas opções pacotes que variam de R$ 165,00 (para 20 filmes) ou R$ 390,00 para ter acesso à programação integral.

Acesse o site oficial e conheça a programação da 33ª Mostra Internacional de Cinema

Texto: Flaviana Serafim, com informações do site oficial da 33ª Mostra Internacional de Cinema

SÃO PAULO URGENTE NA REDE SOCIAL DO MOVIMENTO SUPERAÇÃO

Cidadania, inclusão e meio ambiente

Clique para acessar a página do São Paulo Urgente no Movimento SuperAção

Nossos posts sobre acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência também podem ser acessados no site da rede social do Movimento SuperAção: http://movimentosuperacao.ning.com/profile/BlogSaoPauloUrgente.

O Movimento SuperAção “foi criado por jovens com e sem deficiência preocupados com a necessidade de serem reconhecidos enquanto cidadãos”. O movimento busca a defesa dos direitos e o exercício da cidadania dos portadores de deficiência por meio de eventos sócio-culturais.

Um desses eventos é a “Passeata Movimento SuperAção – Incluindo Diferenças em Defesa dos Direitos Humanos”, que acontece anualmente no dia 3 de dezembro, Dia Internacional das Pessoas com Deficiência.

Quem quiser, também pode ser colaborador, enviando pautas, artigos e sugestões para nós no e-mail saopaulourgente@gmail.com ou acessando diretamente nossa página na rede do Movimento Superação.

Leonardo Feder. Foto: David Feder Nossa série de reportagens, entrevistas, fotos e artigo com o jornalista Leonardo Feder, focando a falta de acessibilidade e os desafios para os cadeirantes nas ruas paulistanas, foi comentada hoje no programa CBN São Paulo (Rádio CBN), e está no blog do apresentador Milton Jung http://colunas.cbn.globoradio.globo.com/miltonjung/2009/10/27/a-paulista-e-o-paraiso-mas-eu-nao-moro-la/. Acessem e enviem seus comentários.

Em breve o blog São Paulo Urgente lançará sua própria rede social, permitindo que internautas de diferentes cantos da cidade possam participar e comentar o que acontece no seu bairro, na sua rua. Aguardem!

Leia também:
NO SESC VILA MARIANA, SEMINÁRIO DEBATE COMUNICAÇÃO E EXCLUSÃO
CAMINHO TORTUOSO ATÉ A PAULISTA
”SER CADEIRANTE EM SÃO PAULO É UM DESAFIO”
”PESSOA COM DEFICIÊNCIA” NÃO É “DEFICIENTE”
O DESAFIO DE LEONARDO NAS RUAS DE SÃO PAULO

26 de out de 2009

LISTAS E ABISMOS

Povos de São Paulo, tribos do mundo

Por Nei Schimada

Táta, a tartaruga do Nei SchimadaEu tenho um réptil. Ele tem a mim. Na verdade, é ela, é uma tartaruga fêmea chamada Táta. Parece pintada a mão, linda, nascida na Florida para ser pet de gente – como eu – que acha bicho com pêlo barulhento e feito para os quintais e não para os pequenos sobrados japoneses.

A Táta passa a vida me ignorando e se esquecendo da nossa relação. Naquele cérebro que deve ser menor que a ponta do meu dedo mindinho, ela só guarda os caminhos pela casa e a hora de comer. Sabe a direção do sol nascente e espera, paciente e secretamente, a luz da manhã para seu esporte predileto: tomar um banho de sol.

Nesses dias até o inicio do inverno, ela vai começar uma hibernação que vai atá a primavera do ano que vem, meados de abril. Não comemora o primeiro de janeiro, as vitórias, as ideologias e nem o próprio aniversário. Ela comemora a vida, dia após dia, e não se importa em abanar o rabo para sobreviver.

A humanidade comemora, celebra, festeja. É a risada. Está em todas as culturas e povos. A risada veio antes da escrita, é anterior à história, aos fatos. Com a escrita e as gargalhadas, a humanidade viu que era bom e criou a cultura e a ideologia. Depois, diz a lenda, foi descansar no sétimo dia.

A ideologia baseia-se em verdades, listas e abismos, ideologistas e ideologismos. Entra muito coração nisso também. Com a fragmentação de tudo – absolutamente tudo – no século 20, qualquer palavra, solta no concreto e no abstrato, cuida de separar-se do resto e criar uma sólida redoma defensora de grandes tudos contra outros nadas baseados em perfeitos vazios.

Qualquer coisa, coisa, palavra, substantivo, adjetivo, está nas mãos dos ideólogos: hoje sou vermelhista; amanhã adotarei meu visceral colchãonismo e passarei o dia deitado; já fui um bom lasanhista, mas o cardiologista disse umas coisas, sabe como é.

Até mesmo esse meu pseudo - outra palavrinha sacana - anarquismo entra no rol dessa reclamação toda que é um grande nada baseado num grande vazio.

Nas nossas eternas fantasias acreditamos que somos especiais porque lemos coisas bacanas, ouvimos músicas raras, tomamos vinhos importados e temos na cozinha um utensílio criado por um designer de nome impronunciável.

Lerebi, mai frendi.

A Táta acordou e esta dando um role outonal pelo andar de baixo batendo o casco no piso de madeira a cada passo capenga. Não queria ser como ela porque não sei se ela é feliz. Não acredito que ela saiba o que é felicidade.

Infeliz de quem sabe.

Nei Schimada, 43, punk, poeta e dekassegui, escreve de Hamamatsu shi - Japão. É blogueiro da Estrovenga dos Corsários Efêmeros. Leia mais em:
DA AVENIDA IPIRANGA À PEQUENA BENÇÃO PELAS COLHEITAS
A SEGUNDA NUNCA SERÁ A PRIMEIRA
IDIOMAS, IPSIS LITTERIS
DE CÁ PRA LÁ, BALANGANDO
NA PRÓXIMA QUARTA E OUTRAS DA SEMANA
AMIGOS, OS DISCOS, OS VINHOS – OS CARAS IMORTAIS
BOM BOM
A CORRIDA DE SÃO SILVRESTRE – OBSCURAS ORIGENS
TEM ESSA E OUTRAS PIORES
PAULISTANO QUE É PAULISTANO NÃO CHORA
ROBERTOS, CARLOS
TODO IMIGRANTE É A PULGA ATRÁS DA ORELHA

NO SESC VILA MARIANA, SEMINÁRIO DEBATE COMUNICAÇÃO E EXCLUSÃO

Cidadania, inclusão e meio ambiente

Clique a conheça a programação Um panorama da produção, circulação, acesso e acessibilidade da comunicação e da informação tendo como foco as pessoas com deficiência – este é o tema do Seminário Internacional Comunicação & Exclusão, que acontece nos dias 27, 28 e 29/10 no SESC Vila Mariana (R. Pelotas, 141 – V. Mariana).

O evento é uma parceria entre o SESC SP e o Instituto MID para a Participação Social das Pessoas com Deficiência. O seminário vai debater, entre outros, como os meios de comunicação veem as pessoas com deficiência e suas problemáticas; o papel da mídia, das artes e da tecnologia na acessibilidade; a formação de profissionais e as iniciativas do terceiro setor para garantir o acesso à informação.

Na conferência de abertura (27/10, às 19h00), será discutido o “Acesso à informação: direitos de comunicação das pessoas com deficiência”, com a presença de Julia Hoffmann, mestre em Direito Internacional e professora da Universidade de Amsterdã (Holanda), e mediação do jornalista Luiz Carlos Lopes, coordenador de comunicação da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (SMPED).

As inscrições podem ser feitas nas unidades do SESC SP ou no portal www.sescsp.org.br 
Clique aqui para acessar a programação completa

Seminário Internacional Comunicação & Exclusão
Dias 27, 28 e 29/10
SESC Vila Mariana - R. Pelotas, 141  – V. Mariana (prox. estação Ana Rosa)
Informações: 5080-3008, das 10h00 às 19h00 ou pelo e-mail
comunicacaoeexclusao@vilamariana.sescsp.org.br
Inscrições no portal do SESC SP www.sescsp.org.br

Leia também:
”SER CADEIRANTE EM SÃO PAULO É UM DESAFIO”
”PESSOA COM DEFICIÊNCIA” NÃO É “DEFICIENTE”
CAMINHO TORTUOSO ATÉ A PAULISTA
O DESAFIO DE LEONARDO FEDER NAS RUAS DE SÃO PAULO

Texto: Flaviana Serafim com informações do SESC SP

EMPREGOS, CURSOS E PALESTRAS GRATUITAS – 26 A 31/10

Oportunidades de trabalho, empreendedorismo, cursos e palestras gratuitos


1) CATs selecionam profissionais para lanchonetes e restaurantes
As unidades do Centro de Apoio ao Trabalho da Prefeitura Municipal têm 530 vagas para lanchonetes, restaurantes e padarias. É necessário mínimo de seis meses de experiência na função pretendida, disponibilidade de horário, ensino médio completo ou cursando.

Os interessados devem se inscrever nesta 2ª e 3ª feiras (26 e 27/10) levando carteira profissional, RG, CPF, título de eleitor, certificado de escolaridade e comprovantes de cursos atualizados num dos seis endereços dos CATS:
CAT Avançado Zona Sul/Jabaquara - Av. Eng.º Armando de Arruda Pereira, 2314
Zona Sul/Interlagos - Avenida Interlagos, 6.122
Zona Leste/Itaquera - Rua Gregório Ramalho, 12
Zona Oeste/Lapa - Rua Monteiro de Melo, 342
Zona Norte/Santana - Rua Voluntários da Pátria, 1.553
Zona Central/Luz - Avenida Prestes Maia, 913
Fonte: PMSP


2) Cia Nau de Ícaros encerra Mês do Empreendedor do SEBRAEimage
Um espetáculo unindo circo, teatro, dança e música encerra o Mês do Empreendedor promovido pelo SEBRAE-SP na Capital. O evento acontece na quarta-feira (28/10), a partir das 19h00, no auditório do CIEE (R. Tabapuã, 445  Itaim Bibi), com  participação da trupe circense Cia Nau de Ícaros e o grupo Agentes Transformadores.

“Nós vamos apresentar os comportamentos do empreendedor na forma de teatro, dança e música”, comenta Marco Vettore, diretor artístico da Nau de Ícaros. A apresentação é gratuita, mas as vagas são limitadas. Os interessados devem se inscrever pelo telefone 0800-570080 (ligação gratuita).

Encerramento do Mês de Empreendedor SEBRAE-SP na Capital
Espetáculo com Cia Nau de Ícaros e Agentes Transformadores
28/10, às 19h00, no auditório do CIEE
R. Tabapuã, 445 - Itaim Bibi – São Paulo – SP
Inscrições gratuitas pelo telefone 0800-570080
Fonte: SEBRAE-SP – Foto: site oficial Cia Nau de Ícaros

3) Dia do Servidor: Ética no serviço público é tema de palestra na USP 
Prof. Renato Janine Ribeiro. “A responsabilidade dos chefes: a ética do serviço público” é tema da palestra ministrada pelo Prof. Renato Janine Ribeiro, no dia 30/10 (sexta-feira), às 14h00, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP).

Janine Ribeiro, professor de Ética e Filosofia Política da FFLCH-USP, abordará questões como: visão do serviço público; dever em relção à res publica e ao bem comum; razão de servir não como lucro ou vantagem pessoal, mas para o bem da sociedade; as diferentes visões de poder e a responsabilidade nos cargos de chefia. A palestra é gratuita e também será transmitida on line pelo IPTV-USP no site  www.fflch.usp.br

“A responsabilidade dos chefes: a ética do serviço público”, com Prof. Renato Janine Ribeiro
30/10 (sexta-feira), às 14h00
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP)
Prédio da administração - Rua do Lago, 717 – Cidade Universitária – São Paulo – SP
Gratuito – informações no site www.fflch.usp.br
Fonte: USP – Foto: site oficial Prof. Renato Janine Ribeiro

4) “Semana de Negócios” na Livraria Cultura traz ciclo de palestrasimage
De 26 a 30/10, sempre às 19h00, a Livraria Cultura do Shopping Market Place promove a “Semana de Negócios”, com uma séria de palestras gratuitas com os principais autores do segmento.

O objetivo é destacar a importância da literatura técnica para os novos rumos no mundo negócios, principalmente diante dessa nova fase econômica.  Confira a programação:
26/10: “Profissional do futuro - O encontro da razão com a emoção”, com Carlos Faccina, Luiz Edmundo Rosa e Luiz Carlos Cabrera 
27/10: “Ativos intangíveis e os meios de comunicação”, com Daniel Domeneguetti e Roberto Meir 
28/10: “A força da comunicação como elemento integrador”, com 
29/10: “Marketing e vendas - Táticas e estratégias para o novo consumidor”, com Mario Castelar e Sandro Magaldi
30/10: “Pessoas focadas na execução da estratégia”, com Emílio Herrero e David Kallás

”Semana de Negócios” na Livraria Cultura do Shopping Market Place
Palestras gratuitas de 26 a 30/10, às 19h00 (lotação: 99 lugares)
Av. Chucri Zaidan, 902 – Itaim Bibi -São Paulo - SP
Fonte: Livraria Cultura

*Este blog faz divulgações gratuitamente e não se responsabiliza pelas informações fornecidas pelos recrutadores/empresas contratantes.

24 de out de 2009

CURTA SP: ASSISTA “CACHORRO LOUCO”

Curta SP

Semanalmente, exibiremos no blog um curta-metragem do Porta Curtas, um projeto bem legal patrocinado pela Petrobras para difusão de curtas pela internet. Produções que, de alguma forma, tenham relação com São Paulo estão no foco das exibições aqui.

Porém, queremos compartilhar também curtas documentais, ficcionais ou experimentais de outros lugares, como os do projeto Som da Rua, de Roberto Berliner, que registrou as manifestações artísticas nas ruas do Brasil e mundo afora.

Abrindo o Curta SP, Cachorro Louco (2003), documentário de César Meneghetti - “uma visão especial da cidade de São Paulo e de seus habitantes através da vida quotidiana e da perspectiva, em paralelo, dos motoboys, dos passantes e do dia a dia de RATINHO”.

CACHORRO LOUCO

Gênero Documentário
Diretor César Meneghetti
Ano
2003
Duração 6 min
Cor Colorido
Bitola Vídeo
País Brasil
Local de Produção: SP

Ficha Técnica
Fotografia
César Meneghetti Roteiro Elisabetta Pandimiglio Edição César Meneghetti Trilha original Subavsmau, Suryalab, Tiberio Pandimiglio, Baque Bolado Empresa produtora Mares produções Assistente de Direção Elisabetta Pandimiglio, Fábio de Almeida Produção Executiva Ludmila Ferolla Argumento César Meneghetti Finalização Olivud Roma Continuidade AnnaMaria Laracca Pós-produção B&W Films Patrocínio Petrobras

22 de out de 2009

MOVIMENTO CRECHE PARA TODOS PROMOVE DIA DE CADASTRO E MOBILIZAÇÃO PELA EDUCAÇÃO INFANTIL

SOS São Paulo – A cidade em nossas mãos

Neste sábado (24/10), o Movimento Creche para Todos convida para o dia de cadastramento e mobilização pelo direito à educação infantil de qualidade em São Paulo. O movimento chama atenção para falta de vagas nas creches e escolas municipais de educação infantil (EMEIs), problema que se arrasta há anos sem uma solução definitiva.

A campanha, realizada em diversas regiões da cidade, vai cadastrar as famílias que ainda não conseguiram vagas nas creches e EMEIs, e fará um levantamento da demanda para atendimento em período integral. A partir do cadastramento, será organizada uma mobilização exigindo providências junto à Câmara Municipal, Secretaria de Educação e Poder Judiciário.

“O cadastramento da Prefeitura não assegura que a criança será atendida, não deixa claro o tempo de espera e não é acessível a todos que precisam de vagas”, informa o Movimento Creche para Todos.  Outro alerta é quanto aos problemas de atendimento, como salas de aula superlotadas e vagas somente para meio período.

Eu já estive entre as mães que vivem a angústia de voltar ao mercado de trabalho sem ter local adequado para deixar minhas filhas. Numa cidade como São Paulo, imaginem quantas mães e pais  passam pela mesma situação? Então, se você tem filhos fora da escola confira os endereços, faça seu cadastro e mobilize-se!

Acesse detalhes no site
www.crecheparatodos.org.br ou pelo e-mail crecheparatodos@gmail.com.
Outras informações também estão disponíveis no
http://www.demandacreche.org.br


 
Texto: Flaviana Serafim – Fonte: Ação Educativa

EM PERUS, EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA RELEMBRA LUTAS OPERÁRIAS

São Paulo lado A,B,C,D…

A história do movimento operário paulista é tema da exposição fotográfica “Lutas Operárias – Momentos de Crise”, que começa neste sábado (24/10), às 20h00, na Paróquia São José (Rua João Jacinto de Mendonça, 134 – Perus, zona oeste).

As imagens integram o acervo da Universidade de Campinas (UNICAMP), e do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Cimento, Cal e Gesso de São Paulo (mais conhecido como “Os Queixadas”, apelido dado pelos operários da histórica fábrica Companhia Nacional de Cimento Portland).

Na abertura,  presença do metalúrgico aposentado Waldemar Rossi, memória viva da luta operária e militante ativo, mesmo aos 75 anos. Outro participante será Dom Angélico Sândalo Bernardino, que foi bispo responsável pela Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.

Dom Angélico e Rossi serão homenageados recebendo o diploma da “Ordem dos Queixadas”, um reconhecimento pela luta de ambos no movimento operário. O evento contará, ainda, com  palestra sobre a crise econômica atual comentada por Ruy Gomes Braga Neto, professor do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo.

A exposição “Lutas Operárias – Momentos de Crise” é organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Cimento, Cal e Gesso de São Paulo, Comissão Pró-Centro de Cultura do Trabalhador de Perus e Projeto Coruja, entre outros.

Exposição fotográfica “Lutas Operárias – Momentos de Crise”
Abertura: 24 de outubro (sábado), às 20h00
Paróquia São José - Rua
João Jacinto de Mendonça, 134 – Perus (zona oeste)

image

Saiba mais:
História do bairro de Perus
Estação de Perus: um  patrimônio ferroviário
Uma estação de trem no meio de tropeiros e queixadas

21 de out de 2009

CAMINHO TORTUOSO ATÉ A PAULISTA

Cidadania, inclusão e meio ambiente

Por Leonardo Feder

Leonardo Feder. Foto: David Feder A avenida Paulista virou, na minha opinião de cadeirante que circula pelo local, um paraíso em acessibilidade, após as reformas de 2007 e 2008 que custaram R$ 10,7 milhões à prefeitura na gestão Gilberto Kassab. Tanto que é lá (da praça Oswaldo Cruz ao Masp) onde ocorre a passeata anual do Movimento Superação, um grupo de pessoas com ou sem deficiência que promove projetos culturais visando à inclusão social.

MAS... Moro na Rua Tomás Carvalhal, no bairro Paraíso (talvez só no nome), e consigo chegar até o shopping Paulista em 25 minutos – só que nunca sozinho, devido à falta de guias rebaixadas e aos buracos e desníveis em calçadas do caminho (vejam as fotos no post O DESAFIO DE LEONARDO NAS RUAS DE SÃO PAULO). Como posso ter a liberdade de ir e vir com independência e assegurar minha plena cidadania se não posso usufruir por conta própria das benesses (de cultura, consumo, gastronomia) da cidade?

Além disso, estando nesse apartamento para qual me mudei em julho de 2009, descobri o prazer de andar pela rua, observar os rostos e expressões das pessoas, participar dessas movimentações e sentir-me integrado à dinâmica agitada da cidade. Sou jornalista, cujo lugar é, como se diz, na rua.

Pois, quando morava na rua dos Democratas, no Jabaquara, ficava, literalmente, preso – as calçadas eram intransitáveis, mesmo acompanhado – e só conseguia sair com meus pais no automóvel. Tanto que resolvi fazer um trabalho fotográfico na igreja de São Judas Tadeu (durante a festa de 28 de outubro), quando estudava na USP, e tive de ir até lá com minha mãe de carro, mesmo sendo há poucos metros de casa.

A dependência dos pais para me levar a atividades extracasa, inclusive à universidade, durou até o final de 2008, quando surgiram os táxis acessíveis, que cobram tarifa comum e permitem entrar no veículo sem precisar sair da cadeira de rodas, verdadeira revolução em mobilidade urbana independente.

Mas os táxis não raro não têm locais seguros para estacionar para a descarga do cadeirante e, mais frequentemente, há transtornos advindos da condição das calçadas ou de estabelecimentos inacessíveis - com degraus na entrada, portas estreitas e inexistência de banheiros adaptados. Cansa ter que, toda vez que sair, me preocupar se consigo chegar ao local que pretendo. Já fui a festas em que tive de segurar a vontade de ir ao banheiro ou em que não pude nem entrar.

O poder municipal, em vez de ajudar, atrapalha. Fui em outubro de 2009 ao festival inLeonardo Feder. Foto: David Federternacional Assim Vivemos, que apresenta filmes com histórias de pessoas com deficiência, no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), na rua Álvares Penteado. Problema: não é permitida a entrada de carros na rua, pois é um calçadão, onde circulam pessoas. Mas táxis acessíveis, da mesma forma que viaturas e ambulâncias, deveriam, em tese, poder entrar, certo? São poucos, risco de acidente quase zero. Mas não: alguns fiscais da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) ficam importunando os taxistas de carros acessíveis, ameaçando aplicar multas. Quando fui fazer um curso de informática num prédio na avenida Paulista, o táxi queria entrar na calçada só para me descarregar ou me esperar por poucos minutos, mas era espezinhado a toda hora. Os fiscais mostram que conhecem as leis, mas não o bom-senso.

Em 2006, sofri um acidente numa calçada: caí da cadeira de rodas ao transpor uma valeta quando descia a rua Napoleão de Barros, na Vila Clementino. Minha mãe estava comigo, chamou meu pai pelo celular e fomos de carro até o hospital Albert Einstein fazer a radiografia, que constatou a fratura no fêmur da perna esquerda – não é muito difícil imaginar a dor alucinante que tive desde a etapa de entrar e sair do veículo, fazer o exame e reposicionar a perna. Como se não bastasse, administraram-me um analgésico a que era alérgico, e tive um sério comprometimento cardíaco; fiquei cinco dias na UTI e saí de lá com sequelas na força muscular dos braços. Tudo porque resolvi sair às ruas... Desse dia em diante, sempre me prendo a um cinto de segurança na cadeira de rodas e recomendo o uso a todos os cadeirantes; mas deixar de sair, não.

Assim, o problema de acessibilidade nas calçadas permanece em pleno século 21 em São Paulo. Os prefeitos da cidade devem tratar essa questão como política pública prioritária e fazer parcerias com a iniciativa privada para viabilizar financeiramente a universalização da acessibilidade em todas as ruas. Além de incentivar os estabelecimentos comerciais a adequarem seus pontos, dando incentivos fiscais, se for o caso, estabelecendo prazos.

Se, é o mínimo que se exige, funcionários da administração pública que elegemos como representantes devem conhecer política e economia, que estudem o problema, chamem arquitetos, economistas e ONGs da sociedade para opinar, discutir e fornecer ideias e proponham soluções de curto, médio e longo prazo. Mexam-se com um empenho mais decisivo. Tomem iniciativas mais urgentes nessa área para, enfim, tornar cidadãos todos os paulistanos.

Leonardo Feder, 24, é jornalista formado pela Universidade de São Paulo e autor do livro “O Enigma do Assassinato das Idosas”.

Leia também:
”SER CADEIRANTE EM SÃO PAULO É UM DESAFIO”
”PESSOA COM DEFICIÊNCIA” NÃO É “DEFICIENTE”
O DESAFIO DE LEONARDO NAS RUAS DE SÃO PAULO

Fotos: David Feder

O DESAFIO DE LEONARDO FEDER NAS RUAS DE SÃO PAULO

Cidadania, inclusão e meio ambiente

Leonardo Feder na Rua Tomas Carvalhal, bairro do Paraíso

Guias não rebaixadas, buracos, entulho e rampas íngremes são alguns dos obstáculos enfrentados pelos cadeirantes
nas ruas e calçadas da cidade.

Tudo isso sem contar a falta de acesso ao transporte coletivo, táxis, escolas, bancos, empresas e imóveis devidamente adaptados às pessoas com deficiência.

Nas imagens abaixo, o desafio cotidiano do jornalista
Leonardo Feder, 24, para fazer algo simples:
se locomover e ter uma vida normal em São Paulo.


Leia também:
“SER CADEIRANTE EM SÃO PAULO É UM DESAFIO”
”PESSOA COM DEFICIÊNCIA” NÃO É “DEFICIENTE”
CAMINHO TORTUOSO ATÉ A PAULISTA

 

Dezenas de buracos estão entre os obstáculos enfrentados pelos cadeirantes. Foto: Leonardo FederDezenas de buracos estão entre os obstáculos enfrentados pelos cadeirantes. Foto: David FederAlém dos buracos, entulhos também prejudicam a circulação. Foto: David FederCadê a guia rebaixada? Foto: David FederAlém de dificultar a locomoção, ausência de guias rebaixadas são um risco para o cadeirante. Foto: Leonardo FederRampas íngremes: outra dificuldade e risco para os cadeirantes. Foto: Leonardo FederRampas íngremes: outra dificuldade e risco para os cadeirantes. Foto: David FederRampas íngremes: outra dificuldade e risco para os cadeirantes. Foto: David FederRampas íngremes: outra dificuldade e risco para os cadeirantes. Foto: David Feder

Texto: Flaviana Serafim – Fotos: Leonardo Feder e David Feder

20 de out de 2009

CASSADOS NUM DIA, IMPUNES NO OUTRO

SOS São Paulo – A cidade em nossas mãos

Durou pouco. Nem deu tempo para o paulistano comemorar, acreditando que a Justiça Eleitoral tomou uma decisão correta ao cassar o mandato de 13 vereadores - todos acusados pelo recebimento de alguns milhões em doações ilegais da Associação Imobiliária Brasileira (AIB).

A AIB é apontada como entidade de fachada – à frente, estaria o SECOVI, fortíssimo sindicato do setor imobiliário. A cassação é fruto de uma representação do Ministério Público Estadual, que pediu revisão das contas de campanha dos acusados.

Na 2ª feira…
…o juiz Aloisio Sérgio Rezende Silveira, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, cassou e tornou inelegíveis por três anos os seguintes vereadores (com acesso ao site oficial, para quem quiser se manifestar):

Carlos Apolinário, Domingos Dissei, Marta Costa e Ushitaro Kamia (todos do DEM, partido do prefeito Gilberto Kassab); Adolfo Quintas, Carlos Alberto Bezerra Jr., Claudinho, Dalton Silvano, Gilson Barreto e Ricardo Teixeira (do PSDB, partido da base aliada); Abou Anni do PV; Adilson Amadeu, do PTB; e o legendário Wadih Mutran, do PP (lembram do Mutran na época do prefeito Celso Pitta e da Máfia dos Fiscais? Acreditem, hoje ele é corregedor da Câmara…)

Sobrou até para Quito Formiga, suplente em exercício no lugar de Marcos Cintra (PR), atual secretário municipal do Trabalho.

E na 3ª feira…
Hoje, o mesmíssimo juiz suspendeu a cassação de Abou Anni, Adilson Amadeu, Quito Formiga e – olha ele de novo! - Wadih Mutran. A suspensão, que pode se estender aos outros nove vereadores, é válida até que os recursos impetrados pelos parlamentares sejam julgados no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). Vai entender…

Leia na íntegra a decisão do TRE-SP suspendendo a cassação

Amanhã…o que será?
Por motivos óbvios, a legislação eleitoral proíbe que sindicatos façam doações deste tipo. E olha que o financiamento de campanhas por grandes empresas já dá pano pra manga, apesar de ser considerado legal. Ou alguém aqui pensa que uma empreiteira dá dinheiro aos políticos a troco de nada?

No Brasil, as doações para campanhas eleitorais são uma espécie de suborno antecipado. Viraram uma praxe, um “clássico” da falta de ética que, futuramente, nós é que pagaremos.

Como ninguém sabe o que acontecerá amanhã, é bom conhecermos a carinha dos 13 acusados. Passe o mouse sobre a imagem para saber o nome do vereador e clique na foto se quiser acessar o site e contatar o parlamentar.

Carlos ApolinárioDomingos DisseiUshitaro KamiaAdolfo Quintas

Carlos Bezerra Jr.Claudinho VereadorAdilson AmadeuMarta CostaRicardo Teixeira

Gilson BarretoDalton SilvanoiWadih Mutran Quito FormigaAbou Anni

E depois de amanhã…
Os parlamentares acima são apenas alguns dos acusados de recebimento ilegal de doações, porque há outros casos sem sentença e, pelo jeito. vai sobrar pra todo mundo – base aliada e oposição também.

De acordo com o Ministério Público do Estado de de São Paulo, estão no alvo as contas de campanha dos seguintes vereadores: Antonio C. Rodrigues (PR), Arselino Tatto (PT), Donato (PT), Eliseu Gabriel (PSB), Gilberto Natalini (PSDB), Ítalo Cardoso (PT), João Antônio (PT), Jooji Hato (PMDB), José Américo (PT), José Police Neto (PSDB), Juliana Cardoso (PT)
Mara Gabrilli (PSDB), Marco Aurélio Cunha (DEM), Milton Leite (DEM)
Paulo Frange (PTB), Roberto Tripoli (PV) e o suplente Edir Sales (DEM).

Saiba mais:
Íntegra da decisão do TRE-SP suspendendo a cassação
Site oficial da Câmara Municipal de São Paulo
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Texto: Flaviana Serafim e Gladstone Barreto – Imagens: sites oficiais dos vereadores/Câmara Municipal de São Paulo

TRANSFERÊNCIA DE PODER

Reflexões urbanas

Por Maria Helena Moraes*

Todas as transformações que ocorrem nos dias atuais no ser hMaria Helena Moraesumano têm muito a ver com uma transferência de poder. O que percebo é que a forma como a sociedade é organizada e como nos portamos diante de tudo na vida é de tal forma que entregamos o nosso poder na mão do outro.

Nós achamos que o médico é que vai resolver o meu problema de saúde, achamos que o governo é que decide a organização do local onde vivo, achamos que muitas coisas que estão pré estabelecidas acontecem independentemente da minha participação.

Isso tudo está mudando, estamos nos dando conta que criamos a própria realidade. Que aquilo que eu tenho dentro de mim reflete a realidade na qual estou inserida e que eu tenho o poder de escolha, ou seja, estou transferindo o PODER que coloco nos outros, para mim. Esta é a transferência de poder a que me refiro.

É o momento de nos tornarmos soberanos de nossas vidas entendendo que eu posso fazer as escolhas de como levo a minha vida, independentemente de como todo o sistema as coloca.

Se eu começar a questionar a forma que como eu levo a minha vida vou perceber que muitas coisas eu posso mudar.

Não há necessidade no momento de combater o sistema. Aliás, muito pelo contrário, combater neste momento pode me levar a ser engolido por ele, e o combate é um a arma do próprio sistema, se quero sair dele o que devo fazer é mudar internamente as minhas crenças e paradigmas para criar a realidade ao meu redor diferentemente.

Conforme eu vou criando esta realidade ao meu redor, as pessoas que me conhecem podem algum dia me questionar o que faço para ter uma vida mais tranqüila e saudável.

Aí é que eu tenho a chance de disseminar essas idéias para que elas se espalhem. A idéia de que somos criaturas e criadores e, podemos sim, escolher como fazer para criar a realidade que nos deixa felizes e aos poucos trazer isso às pessoas que nos cercam e que também escolhem esta forma de pensar.

Maria Helena Moraes é fonoaudióloga e terapeuta holística, blogueira do www.travessia11.blogspot.com

19 de out de 2009

“SER CADEIRANTE EM SÃO PAULO É UM DESAFIO”

Povos de São Paulo, tribos do mundo

Leonardo Feder. Foto: David Feder O jovem jornalista Leonardo Feder, 24, é um dos paulistanos que enfrenta diariamente o desafio de circular por uma cidade ainda pouco acessível como a nossa.

Portador de Distrofia Muscular de Duchenne, doença genética que provoca perda progressiva da força muscular, Feder é cadeirante desde os 15 anos. Já passou por situações complicadíssimas, como ter que ser carregado escada acima logo no primeiro dia de aula na Universidade de São Paulo.

Uma das mentes brilhantes no curso de jornalismo da USP, teve que lutar ao lado de sua mãe e recorrer até ao Ministério Público Estadual para que os prédios da universidade se tornassem acessíveis. Mas se engana quem pensa que isso fez Léo desistir de uma vida normal.

Na 1ª parte da entrevista, Feder conta um pouco de sua história e aponta caminhos para inclusão social das pessoas com deficiência. Comenta, ainda, as piores dificuldades enfrentadas por um cadeirante – o preconceito ou a falta de acessibilidade?

Feder também será colaborador do blog São Paulo Urgente, compartilhando seus desafios e conquistas na seção “Cidadania, meio ambiente e inclusão”. Seja bem vindo, Léo!!!

1 - Pra começar com um perfil seu, conte um pouco sua história: quem é, o que faz, sua idade, profissão etc.

Leonardo Feder: Meu nome é Leonardo Feder, 24 anos. Sou jornalista formado pela USP (2003-2007); fui trainee da Folha de S.Paulo (2008); trabalhei no jornal como redator da Folha Online e colaborador no concurso Folha Memória (2009). Tenho Distrofia Muscular de Duchenne, doença genética que causa perda progressiva da força muscular. Aos 15 anos, comecei a usar cadeira de rodas e lancei o livro policial-juvenil “O enigma do assassinato das idosas”.

2 - Como é ser cadeirante em São Paulo? Para você, a cidade é acessível ou não?

Leonardo Feder: Ser cadeirante em São Paulo é um desafio, pois os problemas de acessibilidade da cidade, acentuados, não passam despercebidos e já me provocaram, inclusive, um acidente. As exceções mais conhecidas são a avenida Paulista e a rua Oscar Freire, porcentagem mínima do espaço urbano da cidade – moro na rua Tomás Carvalhal, a vinte e cinco minutos do shopping Paulista, e não consigo ir sozinho até lá. As calçadas, em sua maioria, apresentam buracos, desníveis e guias rebaixadas mal-feitas ou ausentes; e os estabelecimentos comerciais, degraus, banheiros inacessíveis e estacionamentos inadequados.

Em pleno século 21, tenho sempre que, antes de sair, verificar se os locais são acessíveis e, muitas vezes, bolar uma logística para, por exemplo, pensar onde descer do táxi e por onde transitar. Não é raro, também, pessoas sem deficiência pararem o carro em vagas reservadas, mostrando desrespeito com a cidadania. Esses obstáculos tornam São Paulo atrasada em relação à cidades européias e norte-americanas, e dificultam a inclusão da pessoa com deficiência na sociedade.

3 - Como você avalia as políticas públicas para inclusão das pessoas com mobilidade reduzida? Na capital, o Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência tem feito um bom trabalho? E quanto aos governos estadual e federal?

Leonardo Feder: Para um jornalista discorrer sobre políticas públicas com propriedade, é preciso que ele faça coberturas sistemáticas do mesmo tema, e ainda não cheguei lá (me engajei faz pouco tempo). Não tenho profundos conhecimentos do que os governos federal, estaduais e municipais estão fazendo e, por isso, não posso avaliar.

4- Quais ações você considera necessárias para promover uma inclusão social mais efetiva das pessoas com deficiência? Nos últimos anos parece que este debate tem crescido, mas, na prática, algo está mudando?

Leonardo Feder: Considero necessário tornar a cidade transitável para a pessoa com deficiência. Ela deve poder circular pelas calçadas, pegar metrô e ônibCalçadas irregulares estão entre as dificuldades enfrentadas pelo cadeirante paulistano. Foto: David Federus, parar o carro em local que possa sair com tranquilidade e entrar nos estabelecimentos, tudo com segurança e independência. Além disso, tem o direito de estudar em escola com pessoas ditas “normais”, se assim desejar e tiver condições; e de trabalhar num local acessível, que lhe dê suporte em suas necessidades e que lhe permita desenvolver suas capacidades e habilidades.

O debate sobre os direitos e deveres da pessoa com deficiência e os obstáculos que impedem a sua inclusão social têm crescido, mas podia ser mais refinado e com a participação de mais pessoas da sociedade civil. Acredito que melhorias estão acontecendo – por exemplo, surgiram no final de 2008 os táxis acessíveis (hoje em 20 no total), uma revolução, para mim, em termos de mobilidade urbana independente; mais estabelecimentos comerciais vêm implementando reformas de acessibilidade, cumprindo a lei. Minha impressão é que, aos poucos, a sociedade vai-se tornando mais convidativa para a pessoa com deficiência e entendendo que um local com escadas na porta e banheiros apertados é cafona, pega mal, tolhe a diversidade.


5 - A pior dificuldade enfrentada por um cadeirante é o preconceito ou a falta de acessibilidade?

Leonardo Feder: É difícil falar em pior dificuldade quando as opções são interligadas e igualmente terríveis. Ambas podem ser traumatizantes para a pessoa com deficiência. Em 2003, cheguei à faculdade de Jornalismo da USP, e, na primeira semana, os veteranos fariam uma apresentação aos calouros no prédio principal da Escola de Comunicações e Artes (ECA). Mas desconhecia que havia escadas para chegar ao 1º e 2º andar e ao auditório (eu, inocente, achava que o mundo era perfeito e que estavam preparados para a minha chegada...).

Ficamos no térreo, mas, depois de uma palestra, os veteranos conclamaram a todos para subir. Todos os calouros foram fazendo isso e, eu, apavorado, me perguntava, o que faço? Uns garotos voluntários carregaram a cadeira de rodas (de pelo menos 100 kg) escada acima. Numa hora, tive vontade de ir ao banheiro e precisava de ajuda, mas não conhecia ninguém a quem recorrer; quis descer, mas como? Pedi para alguns garotos reunirem uma turma para me ajudar a descer.

Liguei para a minha mãe, que levou para casa um garoto (outrora animado) em estado de choque, pensando em desistir de estudar. Além disso, acho que foi nesse dia que minha mãe, sem querer, me derrubou no chão quando tentava me colocar no carro, parado em local ruim naquela travessa da rua Lúcio Martins Rodrigues. Resolvi continuar.

“Cada experiência influencia a personalidade de quem a vive”

Um ano depois, fui dispensado pelo chefe do departamento do fechamento do jornal-laboratório quando os banheiros em que eu ia foram fechados, pois faltava água no prédio de Jornalismo, e o único local onde havia banheiro para os alunos usarem era... naquele prédio da ECA. Essa foi a gota d’água para eu e minha mãe irmos ao Ministério Público Estadual (MPE) processar o departamento. Foi feito um acordo, que resultou na construção de rampas adequadas, banheiros adaptados e vagas de estacionamento acessíveis em todos os prédios da ECA.

Mas, em 2006, quis fazer uma disciplina de cinema no auditório do prédio principal da ECA, inacessível ainda – o acordo não fora totalmente cumprido. A aula só podia ser lá, onde havia uma película especial para projeção de filmes. Como era perigoso subir a pesada cadeira de rodas escada acima (foi tentado uma vez, o funcionário machucou as costas), o funcionário da ECA me disse: “falte uma aula, vamos resolver o problema”. Faltei uma aula e me foi dada a seguinte solução: eu deveria desistir de fazer a disciplina que queria e fazer no próximo semestre.

Indignados e chateados com tamanha afronta, eu e minha mãe fomos mais uma vez ao MPE e conseguimos que um elevador fosse construído em seis meses (enquanto isso, fui carregado até o local da aula numa outra cadeira de rodas, mais leve). O elevador ficou conhecido como “do Léo” – rimos agora, mas o sufoco pelo qual passamos marca de modo indelével. Passei por lá esses dias em 2009, e o auditório do 2º andar ainda tem escadas. E nenhum guarda fiscaliza as pessoas sem deficiência que, não-raro, param nas duas vagas reservadas.

Na questão do preconceito, lembro que, na quarta série, passei da turma da tarde à da manhã. Na época, não usava cadeira de rodas, mas corria com mais lentidão, caía com alguma frequência e subia escadas segurando no corrimão. Na primeira aula de educação física com a galera desconhecida, o jogo de handball virou pretexto para que alguns colegas me fizessem chacota, ridicularizando meu jeito de correr e minha falta de coordenação motora para pegar a bola. A minha reação naquele momento foi continuar o jogo, pois adorava praticar esporte, e ignorar as risadas e os apontamentos maldosos, mas evidentemente que aquilo incomodava profundamente.

Passou um tempo e o professor, atordoado, disse que queria conversar com os alunos e me pediu para descer, beber água. Fiquei lá embaixo um tempo, pois imaginava que o professor daria uma bronca fenomenal nos caras. Subi de volta, e estes estavam retomando o jogo. Fui chamado a participar, e os colegas me trataram com carinho, mas de forma desajeitadamente exagerada, como se quisessem mostrar que estavam reparando o erro. A diferença brutal do tratamento antes e depois da conversa do professor com os colegas até hoje me atiça a curiosidade de como se desenrolou o papo. Da minha parte, não tenho mágoas dos garotos que praticaram o bullying, mas o fato marcou a minha trajetória: cada experiência influencia a personalidade de quem a vive.

Leia mais na 2ª parte da entrevista:
"PESSOA COM DEFICIÊNCIA” NÃO É “DEFICIENTE”
Leonardo Feder avalia o mercado de trabalho para pessoas com deficiência e conta a estória de seu livro “O Enigma do Assassinato das idosas”, um suspense juvenil que publicou aos 15 anos.

Saiba mais:
Associação Brasileira de Distrofia Muscular – Abdim
http://www.distrofiamuscular.net/
http://www.distrofiamusculardeduchenne.com/

Texto: Flaviana Serafim e Gladstone Barreto – Fotos: David Feder

“PESSOA COM DEFICIÊNCIA” NÃO É “DEFICIENTE”

Leonardo e seu desafio diário para se locomover pelas ruas de São Paulo. Foto: David Feder Povos de São Paulo, tribos do mundo

Na 2ª parte da entrevista ao blog São Paulo Urgente, o jornalista Leonardo Feder avalia o mercado de trabalho para pessoas com deficiência e conta a estória de seu livro “O Enigma do Assassinato das Idosas”, um suspense juvenil que publicou aos 15 anos.

Léo também deixa claro: “Deficiente’, como substantivo, é conceitualmente equivocado, leva a pensar que a pessoa é ou se define por sua deficiência”, explicou.

Leonardo Feder e seu desafio diário
para se locomover nas ruas de São Paulo

6 - "Deficiente físico" ou "portador de mobilidade reduzida"? O que você acha destes termos? "Deficiente" é um conceito ruim ou não? "Mobilidade reduzida" é eufemismo ou um termo mais adequado?


Leonardo Feder:
O termo mais adequado, segundo o politicamente correto e as normas mais recentes publicadas sobre o tema, é “pessoa com deficiência”. O termo “deficiente”, como substantivo, é conceitualmente equivocado, leva a pensar que a pessoa é ou se define por sua deficiência. “Mobilidade reduzida” me parece um eufemismo ou uma generalização que não explica nada. Num texto “sério”, a recomendação é usar o politicamente correto para não transmitir uma ideia errada...

Numa conversa informal, se o uso de termos “incorretos” não indicar preconceito, mas for apenas uma forma de simplificar, eu, pessoalmente, não vejo problemas e não me incomodo. Mas há termos que já estão embebidos no preconceito e não devem ser usados, como “aleijado” ou “incapaz”. A grande discussão é, a meu ver, nas peças humorísticas ou literárias que desvirtuam o politicamente correto e afirmam que é essa a sua função, serem subversivas, mas podem incorrer em preconceitos – o limite do bom gosto e do ruim é tênue, a ser analisado em cada caso e definido, algumas vezes, pela visão subjetiva de cada pessoa.

7 - E o mercado de trabalho? As empresas têm respeitado a porcentagem de contratações prevista em lei ou estão longe disso? Para você, quais são as barreiras que ainda impedem a contratação de pessoas com deficiência?

LeonardoLeonardo e seu desafio diário para se locomover pelas ruas de São Paulo. Foto: David Feder Feder: Não sei dizer se as empresas estão cumprindo a porcentagem de contratações prevista em lei. As barreiras que impedem a contratação de pessoas com deficiência são, na minha opinião, a falta de infra-estrutura acessível de alguns prédios e a falta de preparo dos empregadores para lidar com as necessidades que podem ser bem específicas.

Às vezes, pode ser preciso uma dedicação especial para a pessoa com deficiência se acostumar com o trabalho. É possível, ainda, que haja um receio de dar um cargo de responsabilidade para uma pessoa com deficiência ou uma dificuldade de adequá-la a uma função que pode e deseja exercer. Por parte da pessoa com deficiência, ela pode ter dificuldades de utilizar os transportes públicos e não ter dinheiro para pagar um táxi acessível. Há “n” fatores que podem dificultar a entrada da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, mas é necessária e, de algum modo, com maior ou menor esforço, deve acontecer.

8- Você é autor do livro “O Enigma do Assassinato das idosas” e destina a renda para a construção do Centro de Terapia Gênica em Ribeirão Preto. Do que trata seu livro e como as pessoas podem comprá-lo?


Leonardo Feder:
O livro “O enigma do assassinato das idosas” é um suspense juvenil, começou a ser escrito aos 13 anos. Tive ajuda da minha professora de português, Wania Sacco, para corrigir os erros. Aos 15, meus pais, para incentivar esse meu antigo hobby, pagaram uma gráfica confeccionar minha história num livro. Fizemos uma tarde de autógrafos no clube "A Hebraica". Foram 2 mil cópias, e o lucro da venda foi revertido para a construção do Centro de Terapia Gênica em Ribeirão Preto.

A história foi inspirada nos livros que misturavam intrigas policias e romances entre adolescentes que lia de autores como Pedro Bandeira, Stella Carr, Marcos Rey, Márcia Kupstas, Ivan Jaf, Luiz Galdino, Walcyr Carrasco, Rosana Rios, Ana Maria Machado, Agatha Christie, Sidney Sheldon e outros.

Minha história, que se passa em 1970, conta sobre uma investigação policial empreendida por dois adolescentes, Lucas e Afrodite, que estudavam num colégio cuja diretora foi assassinada em circunstâncias insólitas – morta por “congelamento”. Descobrem que outras mulheres idosas estão sendo assassinadas assim na cidade de SP. Os jovens terão que investigar o que essas mulheres têm em comum - o naufrágio do Titanic em 1912, ao bater num iceberg, é uma pista - para desvendar o enigma.

O personagem Lucas talvez possa ser visto como um alterego meu, pensando em retrospectiva – o nome dos pais dele, David e Ana Lúcia, é o mesmo que dos meus. Ele é idealizado; seu segredo é que tem poderes sobrenaturais, iguais aos do Superman – da série norte-americana da qual era fã. É uma história que dá para divertir.

O lucro do livro agora é destinado a Abdim (Associação Brasileira de Distrofia Muscular). Quem quiser adquiri-lo (R$ 11), pode escrever para leonardofeder@hotmail.com.

Leia também:
”SER CADEIRANTE EM SÃO PAULO É UM DESAFIO”
CAMINHO TORTUOSO ATÉ A PAULISTA
O DESAFIO DE LEONARDO FEDER NAS RUAS DE SÃO PAULO


Saiba mais:
Associação Brasileira de Distrofia Muscular – Abdim
http://www.distrofiamuscular.net/
http://www.distrofiamusculardeduchenne.com/

Texto: Flaviana Serafim e Gladstone Barreto -  Fotos: David Feder

EMPREGOS, CURSOS E PALESTRAS – 19 A 25/10

Oportunidades de trabalho, empreendedorismo, cursos e palestras gratuitos

1) Zona leste: Ação Educativa seleciona Jovens Agentes pelo Direito à Educação

A organização não governamental Ação Educativa seleciona, até 31/10, jovens de 17 a 22 anos, moradores da zona leste, para participar do projeto Jovens Agentes pelo Direito à Educação (JADE). As atividades começam em janeiro de 2010, duas vezes por semana, das 14h00 às 18h00, nas sede da ONG.

A formação é voltada aos interessados em discutir e defender os direitos educativos da juventude, tornado-se mobilizadores das questões ligadas à educação escolar, principalmente no ensino médio.

É necessário estar cursando ou ter concluído o ensino médio, e desejável experiência em ações comunitárias, sociais ou culturais. As inscrições podem ser feitas via internet – clique aqui para acessar ou saiba mais sobre o projeto JADE. Outras informações no site da Ação Educativa.
Fonte: Ação Educativa

2) Nos CATs, vagas para promotores e vendedores
As unidades do Centro de Apoio ao Trabalho (CAT), da Secretaria Municipal do Trabalho, recebem nesta semana inscrições para interessados numa das 540 vagas para venderores, e 128 vagas para promotores de vendas.

Para cerca de 80% das vagas é necessário ter ensino médio completo e, para algumas empresas, desejável conhecimentos de informática. Os salários variam de R$ 573,00 a R$ 800,00. Para outras informações, como detalhes da seleção e endereços dos CATs, clique aqui.
Fonte: PMSP/SMT

3) No mês do empreendedor, SEBRAE mostra como “Aprender a Empreender”
Clique para acessar o site oficial do SEBRAE-SP O escritório do SEBRAE-SP na zona norte dá início nesta sexta-feira (23/10), das 9h00 às 15h00, ao curso gratuito “Aprender e Empreender”.

Voltado aos donos de pequenos negócios formais ou informais, ou aos futuros empreendedores, a capacitação aborda: as características do empreendedor; orientações sobre o mercado consumidor; administração o faturamento e aproveitamento de oportunidades; custos fixos e variáveis; marketing, planejamento etc.

Para se inscrever, é necessário ter a partir de 18 anos, e escolaridade a partir da 4ª séria do ensino fundamental. A carga horário total do curso é de 24 horas. Inscrições gratuitas pelo telefone 0800 - 570 0800.

A unidade do SEBRAE-SP na zona norte fica na R. Dr. Olavo Egídio, 690, em Santana (próximo do Metrô Santana). Outras informações no site do SEBRAE-SP
Fonte: SEBRAE-SP

*Este blog faz divulgações gratuitamente e não se responsabiliza pelas informações fornecidas pelos recrutadores/empresas contratantes.

16 de out de 2009

6ª FEIRA, TRÂNSITO CAÓTICO. MOTIVO: “PERUADA” DOS ESTUDANTES DA USP

SOS São Paulo – A cidade em nossas mãos

É do peru! Festinha dos estudantes de Direito da USP
deixa ainda pior o trânsito no centro e do corredor norte-sul

Nesta sexta-feira (16/10) o trânsito na região central paulistana ficou ainda pior, como se já não bastasse o congestionamento de praxe no último dia útil da semana. Motivo: a “Peruada 2009”, festa tradicional organizada pelos estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, que reuniu cerca de 1500 pessoas.

A “Peruada” começou antes do meio dia, saindo do Largo do Paissandu e seguindo por diversas ruas do centro, como a Maria Paula (acesso da Praça da República para a Sé) e o Viaduto do Chá.

E o congestionamento não ficou só nesta região, atingindo também o corredor norte-sul. As avenidas 23 de Maio, Rubem Berta e Moreira Guimarães ficaram um bocadinho pior que o normal. Segundo a CET, o corredor teve quase 9 km de congestionamento, e outros 5 km na Av. Washington Luís.

E aí, milhares de paulistanos dançaram sem participar da “Peruada”. Tudo por causa de uma festinha de universitários…

Eu pretendia ir até Eldorado, divisa de São Paulo com Diadema, e simplesmente desisti. Peguei um ônibus no ponto final às 15h20, próximo à estação Liberdade, e levei 55 minutos para desembarcar na Praça da Sé.

Ou seja, foi quase uma hora para que o motorista pudesse dar a volta do quarteirão, passando pela Praça João Mendes. Quando olhei o relógio, eram 16h15 e o ônibus ainda não tinha chegado na Praça da Sé!

Pude desistir e deixar meu compromisso para outro dia. E quem não podia adiar seu compromisso? E quem tinha horário para chegar em outro lugar? E o paulistano que queria chegar em casa, cansado depois uma semana de trabalho?

Mais uma coisinha que esqueci de acrescentar: centenas de policiais militares e alguns agentes da CET deixaram seu trabalho em outros locais para acompanhar a "Peruada", ok?

"Pro meu peru não existe lei, ele é parente do Sarney"
peru
A frase acima foi o mote da “Peruada 2009”, escrita numa grande faixa vermelha presa num dos carros de som da passeata. O protesto é valido já que todo o Brasil teve que engolir (novidade…)as maracutaias envolvendo o presidente do Senado, José Sarney. Porém, não tinha outro dia pra fazer a tal “Peruada”?

Por que o evento não aconteceu no sábado, quando o número de pessoas e carros circulando é menor? Também podiam festeja só em frente ao Largo São Francisco, ou mesmo na Cidade Universitária, na zona oeste. Pro peru deles realmente não existe lei.

Música tão ruim quanto o trânsito
A “trilha sonora” da maldita “Peruada” não podia ser pior. Funk, axé music e participação especial da Gretchen. Quando passei pela rua Maria Paula, ouvi até o Bonde do Tigrão. Nunca imaginei que os jovens estudantes de Direito ouvissem tanta podreira. Os uspianos não são mais os mesmos…

Peruada sem peru
Os alunos da Faculdade de Direito não tiveram dó dos paulistanos, mas dispensaram sua piedade ao peru, ave que pela primeira vez não desfilou vivinha da Silva durante a Peruada, segundo reportagem da Folha de S.Paulo. Nos anos anteriores, um pobre peru era embebedado ao longo da festa, acreditam?

“Foi uma decisão da diretoria do CA [Centro Acadêmico 11 de Agosto]. Neste ano decidimos que não é um bom exemplo alunos de direito desrespeitarem a legislação e maltratarem um animal em um evento público”, declarou à Folha de S.Paulo o estudante Caio Miranda Carneiro, presidente do CA.

Que belo exemplo! Estou comovida!

PS: um comentarista anônimo disse pra eu "me informar" porque desde 2003 o peru não vai às ruas ser embebedado por futuros advogados. Acho que a reportagem da Folha deve estar errada, então, porque a informação é de que o peru só não desfilou em 2009 graças a uma ação do Ministério Público.

Mas reintero: estou ainda mais comovida pelo respeito ao pobre peru!!! Como são bonzinhos, os alunos da São Francisco, meus Deus! Vou chorar! Snif, snif, snif, snif.....

Texto e vídeo: Flaviana Serafim
Atualizado em 18/10