10 de fev. de 2009

UMA MULHER DE CORAGEM

SOS São Paulo - A cidade em nossas mãos

EXCLUSIVO PARA O SÃO PAULO URGENTE!!!
Entrevista com a administradora do Parque Buenos Aires, Rita de Cássia Ferreira Nakamu
ra

“O mais difícil de administrar no Parque Buenos Aires são as pessoas porque administrar o verde é um privilégio de Deus”, afirmou Rita de Cássia Nakamura, atual administradora do Parque Buenos Aires, em entrevista exclusiva aos blogueiros do São Paulo Urgente.

Inaugurado em 18 de
setembro de 1913, o Parque Buenos Aires tem exatos 25.662 m², e fica em Higienópolis, um bairro nobre da capital, entre as ruas Piauí, Alagoas, Bahia e av. Angélica. É uma das poucas áreas verdes - e bem preservadas - na região central de São Paulo.

Um verdadeiro oásis, cheio de verde, um pouco de tranqüilidade e quietude no
meio da fumaça e do concreto paulistano. Recanto de algumas mães, dezenas de babás com suas roupas brancas, crianças judaicas, árabes, chinesas paulistanas e baianas brincando lado a lado. Cerca de mil pessoas circulam diariamente pelo Parque Buenos Aires, número que dobra nos finais de semana. Mensalmente, cerca de 15 mil cachorros (!!!) passeiam por lá.

A
liás, a "simples" circulação de cachorros, hoje restrita a uma área reservada, já gerou polêmica, diversas reportagens na mídia paulistana, bate boca entre freqüentadores e muita paciência dos administradores.
“Além de ter experiência
com o verde, eu tenho uma formação mais para o lado humano, das pessoas, do social. Nós conversamos, explicamos as regras”, nos contou a administradora

Questionamos se alto poder aquisitivo dos visitantes necessariamente se reflete na boa conservação da área. Mas a desobediênci
a ao regulamento do Parque, apesar de pontual, não tem classe social, segundo Rita de Cássia:

“Não vou dizer que é geral, mas no começo eu tive um enfrentamento muito grande com a arrogância de muitas pessoas, que era uma coisa assim ‘Você sabe quem eu sou? Eu não vou cumprir o regulamento do uso do parque porque o prefeito Gilberto Kassab me deve R$ 10 milhões, é eu fazer assim (estalar um dedo) e pronto", comentou a administradora. Rita de Cássia já foi até alvo de processo de uma freqüentadora enfurecida, mas venceu.

Entre outras dificuldades, Rita contou que já teve "que ser muito firme, muito dura. Jamais sem educação, mas a ponto de colocar até usuário para fora. Pode ficar no parque desde que cumpra regulamento de uso. (...) Na cidade a gente peca por falta de fiscalização".

Administrar uma área verde numa cidade como a nossa é mesmo tarefa para uma mulher de uma coragem. Leiam e comemtem primeira parte da entrevista (a próxima será publica na 2ª feira, 16.02)

São Paulo Urge
nte – Como é administrar o Parque Buenos Aires?
Rita de Cássia Ferreira Nakamura - O mais difícil de administrar no
Parque Buenos Aires são as pessoas porque administrar o verde é um privilégio de Deus. Trabalhar com a natureza é uma maravilha, com as árvores, com as plantas ornamentais. Até mesmo cuidar, sanar as pragas, os fungos, que seria o lado chato, mas existe, faz parte da natureza. Eu acho que o desafio maior é você trabalhar essa consciência nas pessoas.

SPU – Consciência dos freqüentadores ou das pessoas que trabalham com você?
Rita de Cássia – Os dois lados. Treinar uma equip
e, ensinar que trabalhar com o verde não é um trabalho mecânico. Pode ser todos os dias a mesma coisa - limpar o parque, tirar mato, plantar, fazer replantio, mas não é. Você está mexendo com vida. No Parque Buenos Aires estamos conseguindo “arredondar” cada vez mais nossa equipe. O outro desafio são as pessoas que usufruem do parque, os freqüentadores, a vizinhança e tal. É uma área pública, e nos partimos do princípio que as pessoas também tenham está clareza - eu pago os impostos, é um pedaço meu, uma parte de área verde que está no meu bairro. Então eu também vou fazer minha parte, vou exercer a cidadania.

SPU – Você acredita que os moradores do entorno, que tem maior poder aquisitivo, cuidam melhor do parque? Você também convive com morador de rua que freqüenta o parque. Como é essa relação?
Rita de Cássia – No Parque Buenos Air
es também temos moradores de rua. Eles também vão se enquadrar no esquema de trabalho, nas regras do parque. Nós não deixamos ninguém deitar nos bancos. Isto não é só para os moradores de rua, é geral. Ninguém deita nos bancos porque os bancos são para sentar. Temos algumas gramadas pontuais onde você pode deitar.

O próprio mor
ador de rua já incorporou isto. Ele não deita nos bancos. Isso é perfil de cada administrador. Além de ter experiência com o verde, eu tenho uma formação mais para o lado humano, das pessoas, do social.

Nós conversamos, explicamos as regras. Não é discriminação. Pode usar o banheiro, pode estar aqui. O banheiro para o público em geral é grudado aqui na administração. É impossível nos não acompanharmos.

Tudo isso, posso dizer com bastante tranqüilidade, é fruto de um trabalho de relações públicas, mas de cunho social. Até os moradores de rua que estão no gradil, fora do Parque Buenos Aires acabam nossos colaboradores. Não deixam coisas espalhadas porque damos saco para eles jogarem todas as coisas.

Eu já consegui emprego na frente d
e trabalho da Subprefeitura para dois moradores de rua. Eu vou até eles, vou conversar com eles, não vou massacrar. É sempre assim, digo “pessoal, preciso da colaboração de vocês”.

E mesmo assim sempre tem aquelas fi
guras, não é? Tem um que quando bebe se transforma num bicho. Um vigilante já o pegou com uma faca dizendo “vou catar aquela administradora!”, porque bebeu e ficou agressivo.

SPU – Qual foi sua maior dificuldade na administração do Parque Buenos Aires?
Rita de Cássia - Quando eu vim para este parque eu conhecia o entorno. Não era assim muito fácil, mas, voltando à sua pergunta - se o
pessoal de classe media alta, que tem mais conhecimento, mais informação e cultura cuida melhor do parque? Tem tudo isso, sim, porém também tem muita gente...

Não vou dizer que é geral, mas no começo eu tive um enfrentamento muito grande com a arrogância de muitas pessoas, que era uma coisa assim “Você sabe quem eu sou? Eu não vou cumprir o regulamento do uso do parque porque o prefeito Gilberto Kassab me deve R$ 10 milhões, é eu fazer assim (estalar um dedo) e pronto”.

Tive que ser muito firme, muito dura. Jamais sem ed
ucação, mas a ponto de colocar até usuário para fora. Pode ficar no parque desde que cumpra regulamento de uso. O regulamento é a lei do parque, é oficial, está lá em decreto, no Diário Oficial. Na cidade a gente peca por falta de fiscalização, mas aqui dentro, enquanto eu for administradora deste parque as regras são levadas a sério, e muito.

Com vários eu tive que colocar para fora, o que é muito chato. “Eu convido a senhora..., convido ao senhor a se retirar do parque”. E ai me responde: “Ah, não vou”. Explico que vou lhe dar um outro argumento, dar uma escolha que sair com a nossa vigilância ou tem que chamar a Guarda Civil Municipal. Uma pessoa saiu do parque aos berros, xingando “Vocês são um bando de vagabundos!”. Assim, mas saiu com a nossa vigilância.

Eu vim com o intuito de pôr esse parque em ordem. Nós recebemos 500 cachorros por dia em média. Há dois, três anos, o parque era só dos cachorros. Não tinha divisão de uso de área. A fonte que você vê restaurada (na entrada do parque), com água hoje, nós temos arquivo de fotos. Tinha cachorro ali dentro pulando! Aquele gramadão atrás da fonte, que hoje está lindo, era um terrão puro. Era só cachorro, ninguém respeitava regulamento de uso.

Nos canteiros não podem ir cachorros. Pra
isso foi feito um cercadinho onde as pessoas podem soltar os cachorros. Havia essa história que o pessoal era um pouco difícil aqui, mas eu não achava que fosse tanto.



Parque Buenos Aires
- Avenida Angélica, s/nº (altura do 1.500) - Higienópolis
Fone (11) 3666-8032
Horário de funcionamento das 7h00 às 19h00


Para saber mais:
História do Parque Buenos Aires
Fotos do SOS São Paulo no Flick
Site da Secretaria Muncipal do Verde e Meio Ambiente

Texto/Fotos: Flaviana Serafim e Gladstone Barreto

PARQUE BUENOS AIRES É OÁSIS DA REGIÃO HÁ 96 ANOS

SOS São Paulo - A cidade em nossas mãos

"No ano de 1912, a Prefeitura de São Paulo desapropriou uma área na região central, na qual criou, em maio de 1913, a Praça Higienópolis. Em setembro do mesmo ano, o espaço teve seu nome alterado para Praça Buenos Aires.

Em 1916 as obras da praça foram concluídas e ela foi entregue à população com mirante, espelho d'água, esculturas e cercamento. A criação dessa praça teve como objetivo preservar a vista sobre o Vale do Pacaembu. O projeto foi criado pelo francês Bouvard, incluindo uma elevação central com mirante onde foram instalados telescópio e espalho d'água que davam frente para a Avenida Angélica.

Somente em dezembro de 1987 o local foi transformado no Parque Buenos Aires, tal qual o conhecemos hoje. A principal característica do Parque é ser uma ilha de tranqüilidade e de contato com a natureza em meio à massa compacta de edifícios da área central da cidade.

Flora
O Parque possui jardins, alamedas e gramados, com destaque para palmeiras, guapuruvus, figueiras-benjamin, ligustrum, alfeneiro e um jequitibá-rosa com 40 m de altura. São também encontradas espécies nativas como embaúbas, canelas, sibipirunas, além de pitangueiras, amoreiras, acabateiros, goiabeiras e mangueiras.

Fauna
Pardais, tico-ticos, sabiás-laranjeira, sanhaços, periquitos verdes e pombos, aves tipicamente urbanas, são a base da fauna do Parque.

Arte no parque
O Parque conta com esculturas de destaque, entre elas uma de autoria de Caetano Fracaroli, chamada "Mãe", que foi vencedora de um concurso nacional sobre o tema no ano de 1964. Esculpida em um só bloco de mármore, pesa 24 toneladas e foi instalada em frente ao espelho d'água.

Outras esculturas importantes espalhadas pelo Parque são: "O Tango", de Roberto Vivas, esculpida em bronze e granito no ano de 1996; "Veado Atacado" e "Leão Atacado", ambas vindas da França e executadas em bronze pela Frondies d'art ou Val d'cane; os bustos de Firmino Pinto, ex-prefeito de São Paulo, e do pensador argentino Rivadávia, inaugurado em 1945 em homenagem ao seu centenário.

Completam o cenário do Parque luminárias inspiradas na arte grega, confeccionadas em ferro fundido com cúpulas de alabastro. Estas luminárias datam de 1929 e eram encontradas também nas ruas de São Paulo".

Parque Buenos Aires Avenida Angélica, s/nº (altura do nº 1.500) – Higienópolis
Fone (11) 3666-8032
Horário de Funcionamento: das 7h às 19h

Fonte: Secretaria Muncipal do Verde e Meio Ambiente

9 de fev. de 2009

ESPERANDO ROSA

Povos de São Paulo, tribos do mundo

Por Nei Schimada


Chove um malmequer bem me quer desenfreado que até dava pra controlar no comecinho, nas gotículas frouxas na queda do toldo. Agora com essa multidão de gotas, todas-gotas-right-now ao mesmo tempo agora, igual no disco dos Titãs, não há Cristo que faça a brincadeira do bem me quer sabiamente.

Como dizer que me ama se todos os sinais gritam sins e nãos ininterruptos? Aqui no toldo é o quinto cigarro. Último no maço. Último.

Tudo cabe no último cigarro. Pode ser a bomba relógio da despedida solitária, para começar a caminhar até a bilheteria para pegar o da meia-noite, voltar indefeso, frouxo e fraco para casa.

Pode ser a primeira tragada no último cigarro de hoje. Pode ser o milagre da multiplicação e começar a chover Monte cristos cubanos de cem dólares. Pode ser um eclipse. Pode ser o ultimo cigarro antes do inevitável enfisema.

Pode ser o início de um incêndio. Não. Não na chuva, nunca na chuva. Nunca comece um incêndio na chuva se você não estiver de guarda-chuvas, mesmo embaixo de um toldo de farmácia.

Incêndio mais bombeiros, mais transeuntes notívagos curiosos, mais charutos cubanos, mais quase meia noite não combinam.

Um vulto vindo da Santa Ifigênia. No lusco fusco inebriado, cinza prata da chuva e lâmpadas mercúrio, acho que o vulto pode ser você. Sem guarda-chuvas? Você não viria desprotegida, jamais. Talvez viesse nua e de salto agulha, uma aparição - Matahari Luz Del Fuego na minha jugular, mas num dia como esse, depois de um telefonema pé na bunda, jamais, nem nua ou sem guarda-chuva.

Quando eu falei que queria o disco do Pixinguinha, falei brincando. Era pra citar aquela do Chico. Uma citação, um engodo literário metafórico irônico de um trouxa sendo jogado numa van lotada de eunucos inconsequentes.

Você levou a serio, falou que devolvia, que era pra eu esperar ali na esquina da São Bento com Boa Vista. Cá estou. Seríssimo. Frio de rachar. Último cigarro.

Incêndio, chorinho, a flauta do Pixinguinha - tu eras minha rosa, tu eras divina e graciosa, estátua majestosa do amor por deus esculturada. Ao diabo o disco do Pixinguinha. Ao diabo com tuas lágrimas, teus desejos, nossos jantares, nossos humores, os lençóis. Ao diabo esse isqueiro que não acende. Você não chega, nunca virá, nunca viria, nunca esperei. Ao diabo.

Nei Schimada, 43, punk, poeta e dekassegui, escreve de Hamamatsu shi - Japão. É blogueiro da Estrovenga dos Corsários Efêmeros

8 de fev. de 2009

SANTA PACIÊNCIA, PADROEIRA DOS INTERNAUTAS

SOS BLOGUEIROS E OUTROS USUÁRIOS DA INTERNET!!!

Santa Paciência é a padroeira dos usuários da internet. Somos devotadíssimos. Haja, Santa Paciência, mesmo com banda larga Claro 3G de 500 Kbps custando R$ 84,90 por mês (ou R$ 1.018,80 por ano).

E você, quantas vezes chama Santa Paciência quando está na internet? Você sabe qual é a velocidade de sua conexão
?

Não é fácil ser blogueiro, viver mergulhado na internet depois da meia note e esperar um tempão só pra colocar uma foto ou vídeo aqui!

Se você também estiver clamando por Santa Paciência além do limite, descubra a velocidade de sua conexão e seja chato mesmo, exija seus direitos. Faz um e-mail bem bonitinho - bonitinho mesmo - e envia pra Speed/Telefonica, Claro 3G, Net Virtua, TVA AJato.

É facílimo, inclusive para os que amam internet, mas odeiam computadores, softwares, hardwares... Só clicar no botão. O "velocímetro" no site RJNet é totalmente confiável e o teste é util pra qualquer tipo de conexão - discada, Virtua, Speed, satélite e outros. Aqui, já que é domingo, aumentamos nossas preces para Santa Paciência...


Velocimetro RJNET

Flaviana Serafim e Gladstone Barreto

7 de fev. de 2009

AGUARDEM!!!

Em breve neste blog:
- músicas e vídeos sobre São Paulo
- entrevistas exclusivas (uau!!!!)
- novas fotos no Flickr - visitamos o mirante do Banespão!!!
- notícias sobre São Paulo
- links úteis e serviços

Aguardem!!!!

VISITE A PINACOTECA, MAS DISPENSE O CAFEZINHO

São Paulo Lado A,B,C,D...

Visite a Pinacoteca do Estado, na Praça da Luz nº 02, ao lado da Estação da Luz. O acervo é fantástico, sempre há boas exposições e aos sábados a entrada é gratuita. Confira a programação atualizada no site oficial.

Mas quando sair todo inspirado da Pinacoteca, não se estresse se decidir tomar um simples café. A cafeteria de lá tem péssimo atendimento, falta integração dos funcionários e o mínimo de gerência. Se você for teimoso ou paciente, sorte sua, vai em frente e espere.

Enquanto alguém prepara 1 café e pega 2 pães de queijo, aproveite para conversar com o colega ao lado sobre as obras de esculturas, pinturas, fotografias (já pensou se seu colega for um crítico de arte pós-moderna ou um filósofo uspiano?).

Até que seu pedido chegue, dá comentar metade do acervo, no mínimo. Ou será que tivemos muito azar no dia de nossa visita? Voltaremos na Pinacoteca, mas na cafeteria nunca mais.

No alto, escultura "Gaulês moribundo", artista anônimo

PINACOTECA DO ESTADO
Parque da Luz nº 2 - Luz - região central de São Paulo - SP (ao lado da Estação da Luz)
www.pinacoteca.org.br

Texto/fotos: Flaviana Serafim e Gladstone Barreto

6 de fev. de 2009

ARTE VISTA POR TODOS OS LADOS

São Paulo Lado A,B,C,D...

Por Gladstone Barreto





A Portadora e Perfumes, de Victor Brecheret
Acervo da Pinacoteca do Estado - SP

HISTÓRIA DE SÃO PAULO CONTADA POR SEUS MORTOS

Povos de São Paulo, tribos do mundo

Que tal conhecer a história de São Paulo contada por seus mortos, enterrados no Cemitério da Consolação? Horripilante, pavoroso, medonho e nada a ver pra muita gente.

Interessantíssimo para góticos, malucos ou simplesmente interessados em arte e história de São Paulo.
Deixe seus preconceitos de lado. Vale a pena ver o livreto “História da arte no Cemitério da Consolação”, do sociólogo e pesquisador José de Souza Martins. Ele conta como surgiu o primeiro cemitério público da cidade, inaugurado em 15 de agosto de 1858.

Até 150 anos atrás, as igrejas eram o depósito de nosso
s mortos, que inebriavam as missas com seus odores putrefatos e transmitam doenças (não por acaso, a inauguração do cemitério foi precedida por uma epidemia de varíola na capital).

A morbidez aqui é por nossa conta porque a proposta do autor é focar a história dos mortos e da cidade, com um roteiro de visitação pelos túmulos de figuras como o conde Francisco Matarazzo de Oswald Andrade, Mario de Andrade, Tarsila do Amaral, Monteiro Lobato, e Líbero Badaró, ou políticos como Ademar de Barros, Campos Sales e Abreu Sodré.

Você sabia que a capela do Cemitério da Consolação foi construída graç
as à generosa doação da senhora Maria Domitila de Castro Canto e Melo (1797-1867), popularmente conhecida como Marquesa de Santos?

Sim, a sofrida amante de Dom Pedro I também foi precursora dos saraus “para encontro social e entretenimento de jovens de ambos os sexos”.Quem diria, a Marquesa de Santos é a tataravó das baladas paulistanas!

Graças aos saraus da Marquesa de Santos “e sob sua vigilância e das famílias, as moças tinham a oportunidade de conhecer os jovens estudantes da Faculdade de Direito, vindos de vários pontos do Brasil, por sua vez confinados nas repúblicas estudantis, barbarizados na gandaia da vida boêmia, longe dos pais". E mais, como conta Martins:

"Sua iniciativa ampliava e diversificava a oportunidade de encontro civilizado entre futuros noivos e cônjuges. Uma verdadeira revolução na condição feminina e uma mudança de costumes sociais por meio das reuniões lítero-musicais e da verdadeira ressocialização para outra concepção da vida privada e do lugar da mulher na sociedade
”.

Última curiosidade: na quadra 13, terrenos 21/22, é possível visitar o mausoléu da Sociedade Beneficente dos Chapeleiros, com operários da Fábrica de Chapéus João Adolfo. Para visitar a Marquesa de Santos, siga pela rua 1, terreno 3; ou para a rua 7, terreno 56 se preferir o mausoléu ex-governador Ademar de Barros.

Leia mais em "
História da arte no Cemitério da Consolação" (arquivo PDF) ou no Guia de Visitação


Esquerda: obra de Victor Brecheret. Foto: Sylvia Massini, do livro "História da arte no Cemitério da Consolação". Na direita: cama da Marquesa de Santos (criada por Louis-Alexandre Bellangé, em 1827, está no acervo do Museu Paulista-USP. Foto de Reiche Bujardão, 1996.)

Texto: Flaviana Serafim e Gladstone Barreto

PROGRAMA “ADOTE UMA OBRA ARTÍSTICA” EXISTE HÁ 14 ANOS.

SOS São Paulo - A cidade em nossas mãos

Na tentativa de conquistar empresas e pessoas interessadas na restauração de obras artísticas, a Prefeitura Municipal de São Paulo criou o programa “Adote uma obra artística”, em 1994. Há cerca de 500 esculturas pela cidade e mais da metade está na região central, da Subprefeitura da Sé.


O passo a passo que a Prefeitura disponibiliza em seu portal parece simples, não tão burocrático quanto se imagina, porém detalhado. É preciso enviar carta de intenção ao Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) da Secretaria Municipal de Cultura, além de outros documentos específicos para pessoa física e jurídica (veja o site)

Também é preciso enviar projeto de restauração completo e detalhado com informações do responsável técnico; diagnóstico do estado de conservação; fotos; projeto de restauração, procedimentos; produtos e equipamentos utilizados entre outros.

O DPH não informa na internet se há alguma “contrapartida” para pessoas físicas e jurídicas que participem, como isenção de imposto e coisas do tipo. Mas já é certo que ao menos uma placa fará a devida propaganda do patrocinador.

A iniciativa é excelente, mas não temos dados sobre a quantidade de obras e locais contemplados em 14 anos do programa. Queremos descobrir por que mais empresas não aderem ao “Adote uma obra artística”. Será que é caro, ainda mais em plena “crise” internacional? Ou é burocrático demais? Ou as empresas desconhecem o programa? E depois do restauro, quem fiscaliza a manutenção adequada?

Vamos investigar e também contatar a Votorantim, principal parceira da Prefeitura na restauração de arte pública. A empresa patrocinou a restauração da escultura “Depois do Banho”, de Victor Brecheret, (veja post) O problema é que uma peça linda largada num lugar imundo, em meio a um jardim praticamente inexistente.

Uma das questões pode ser a falta sintonia entre governo municipal e empresas, a capacidade de, integradas, olhar o “todo” e não só “uma parte”? E os cidadãos paulistanos, por que não se envolvem na conservação das praças próximas de suas casas? Não! Nós não fazemos isso! Tem gente que mal varre a própria calçada, imagina ficar cuidando de pracinha...

Veja no blog: Escultura restaurada, mas jogada no nada
No Portal da Prefeitura: Entenda o Programa Adote uma Obra Artística

Texto: Flaviana Serafim e Gladstone Barreto

5 de fev. de 2009

PRAÇA DA REPÚBLICA: RECLAMAR SEM AGIR NÃO TRAZ MUDANÇAS

SOS SÃO PAULO

Quando criamos este blog, a idéia sempre foi dar espaço para a reclamação, mas também buscar respostas, caminhos para mudanças e informações. Ficar só na queixa o tempo todo não mudará nada e este diário perderá seus objetivos - além de ficar muito chato.

É preciso agir, não é? Então, enviamos e-mail para a Suprefeitura da Sé relatando o abandono na Praça da República.

Torcemos para que venha a resposta. Ela também estará aqui, como agora postamos a mensagem enviado ao subprefeito da Sé, Amauri Pastorello.

"Sr. Amauri Luiz Pastorello
Subprefeito da Sé

Somos cidadãos paulistanos inconformados com os problemas de nossa cidade, mas interessados em agir e não só em reclamações. Criamos um blog chamado São Paulo Urgente e gostaríamos de colocar as informações e posicionamentos de todos os envolvidos nessas questões.

Gostaríamos de saber, por exemplo, porque a Praça da República, reformada a tão pouco tempo, não recebe a manutenção adequada e tem lixo espalhado sempre, além de nenhuma segurança.

E por que a prefeitura não realiza ações educativas em prol da revitalização do centro. Acreditamos que não bastam reformas, é preciso manutenção da Prefeitura e orientação aos cidadãos, não acham?

Enfim, anexamos os posts publicados na seção SOS SÃO PAULO de nosso blog e sempre enviaremos nossas notícias à vocês, quando precisarmos de alguma resposta ou informação de responsabilidade da prefeitura.

Também gostaríamos de receber e divulgar as ações de vocês em nosso blog. Nosso diário é apartidário. O interesse é realmente fomentar o debate e a mudança de atitude. Acreditamos que melhoria da cidade não depende só de investimentos da prefeitura, apesar das boas iniciativas do prefeito Gilberto Kassab. Depende também dos moradores, dos cidadãos.

Aguardamos retorno e publicaremos tanto este e-mail quanto a resposta da prefeitura em nosso blog.

Gratos,

Blog São Paulo Urgente
Flaviana Serafim e Gladstone Barreto"

Mais imagens no Flickr.

Texto/foto: Flaviana Serafim e Gladstone Barreto

4 de fev. de 2009

RUA DA QUITANDA

São Paulo Lado A, B, C, D...

Rua da Quitanda (centro),
ao lado do Centro Cultural Banco do Brasil

"Denominação tradicional e de origem popular que relembra o comércio miúdo ali estabelecido no século XIX e que era chamado de 'quitanda'. Em 1822, ela era conhecida também como 'Rua do Cotovelo', pois o seu traçado lembrava de fato um cotovelo dobrado. Esse cotovelo foi suavizado com o tempo através de retificações. Porém, ainda hoje podemos notar a curvatura da rua. A partir de meados do século XIX, os paulistanos a denominaram como 'Quitanda', uma vez que ela era a preferida pelas 'quitandeiras', mulheres que vendiam miudezas e alimentos cozidos ou in natura. Um antigo trecho, hoje integrado à Rua da Quitanda, e localizado entre as ruas Alvares Penteado e 15 de Novembro, era no passado conhecido como “Beco da Cachaça”, numa referência ao comércio de cachaça ali praticado".

Do Dicionário de Ruas

Foto: Flaviana Serafim

PARTICIPE DO BLOG SÃO PAULO URGENTE

Vários amigos - e amigos de amigos - receberam o 1º "informativo" do São Paulo Urgente, com o convite para conhecer o blog e alguns de nossos posts mais recentes.

Agradecemos os comentários e e-mails - milhares recebidos!!!! - e esperamos a colaboração de vocês.

Enviem mensagens, fotos ou vídeos com sua queixa, sugestão, idéia, projeto, boa iniciativa, personages, lugares ou histórias sobre a cidade de São Paulo.

Acompanhe este blog clicando em "SEGUIDORES" no menu à esquerda, lá embaixo.

Quer participar? Nosso e-mail é saopaulourgente@gmail.com

Abraços,

Flaviana e Gladstone

O VELHO RELÓGIO

São Paulo Lado A,B,C,D...



Na esquina ao longo do tempo, o relógio grita as horas para a cidade desde sempre agitada.

Relógio do antigo prédio do Mappin, hoje Casas Bahia, na esquisa da Praça Ramos com r. Xavier de Toledo.

Texto/fotos: Flaviana Serafim e Gladstone Barreto

3 de fev. de 2009

TOQUE-ME, SOU TEU: PIANOS DE RUA NA CIDADE

São Paulo Lado A, B, C, D...

Treze pianos espalhados em diferentes cantos da cidade disponíveis para quem quiser tocar. Idéia maravilhosa que integrou a Mostra Sesc de Artes 2008 e permeneceu (tomara que não acabe nunca mais!)

Imaginem só que coisa fantástica cruzar a Estação da Luz, depois de visitar a Pinacoteca, e de repente alguém cruza seu caminho, encontra um piano, senta e começa a tocar longamente (tanto que fomos embora sem saber o nome deste cidadão).

Pessoas se revezam num vai e vem ao redor do piano. É irresistível passar e parar, mesmo que só por uns segundos na correria paulistana. Alguns ficam mais tempo apreciando a música. É tarde de sábado. Outros fica ali parados só alguns segundos porque é tarde de sábado e o trem vai chegar...

Outra maravilha - perceber em cada um ali parado a vontade enorme de fazer o mesmo, de parar, sentar e tocar. Aonde? Praça Pedro Américo, Largo Santa Cecília, Estação da Luz, CPTM, Largo de Pinheiros, Pátio do Colégio, Parque da Juventude, Rodoviária Nova, Rodoviária Velha, Igreja São Benedito, Parque Santos Dumont e Marquise do Parque do Ibirapuera. Arrisque-se!

Acesse o site http://www.pianosderua.com.br/



Texto/fotos: Flaviana Serafim e Gladstone Barreto

2 de fev. de 2009

TARDE DE SÁBADO NA ESTAÇÃO DA LUZ

São Paulo Lado A,B,C,D...


Fotos: Flaviana Serafim e Gladstone Barreto

1 de fev. de 2009

ANHANGABAÚ

Povos de São Paulo, tribos do mundo

Nei Schimada

Eu sempre costumo dizer que o centro histórico de São Paulo era meu quintal porque quando ganhei minha primeira bicicleta, morava no centro e cruzava suas ruas como se fossem minha vila, meu playmobil.

Meus companheiros de bike eram o Cláudio e o Mauricio. Final dos anos 70, a grande aventura era irmos ao Ibirapuera, voltar empurrando, subindo a rua Augusta desde a Estados Unidos e comer na pizzaria rodízio do Grupo Sergio, um marco da época.

Mas quando não havia dinheiro nem energia para tanto, íamos ao Mappin - imensa loja de departamentos que havia ao lado do Teatro Municipal - para ver as novidades, os brinquedos que deixavam expostos para nossa diversão.

Nos dias de muito calor, molhávamos os pés na fonte da Praça Ramos de Azevedo junto com os moleques lavadores de carros, a pré-história dos limpa vidros. Acreditem, o mundo infantil já foi inocente no centro de São Paulo.

Às vezes, parava no meio do Viaduto do Chá e ficava olhando o Vale do Anhangabaú. Não era a praça que é hoje. No cruzamento com a Avenida São João, havia um túnel mais curto que o atual cujo apelido era "O Buraco do Adhemar", uma piada sobre o ex-governador Adhemar de Barros - o primeiro adepto do "rouba, mas faz", uma triste e eterna tradição em nossas plagas.

O avo do Mauricio nos contava que ali embaixo passava um rio e que na beira desse rio os índios enterravam seus mortos. Aquele era um lugar sagrado, ele dizia, e eu fiquei olhando preocupado com os fantasmas dos índios com tantos carros e ônibus fazendo aquela barulheira danada, indo e vindo incessantemente. Não sabia muito bem o significado do que era sagrado, mas sabia que não deviam fazer tanto barulho em lugares assim.

Além da fonte da Praça Ramos, mais três coisas nos atraiam ao Anhangabaú. A primeira era a porta automática do Banco de Boston, talvez a primeira em São Paulo.

Passávamos correndo de bicicleta em frente para acionar o sensor de abre-e-fecha. E fazíamos com tal distância e ritmo que esperávamos a porta fechar para passar o próximo e abri-la novamente. Os seguranças do banco ficavam em polvorosa.

A segunda coisa era a recém inaugurada passarela de pedestres sob o Viaduto do Chá. Ficávamos ali para cuspir nos vidros dos carros que passavam embaixo. Também havia uma técnica de tempo e distância para acertar os vidros. O Cláudio era bom nisso.

E, finalmente, acorrentávamos as bicicletas umas nas outras na cerca de proteção da passarela e subíamos as imensas escadas rolante da Praça do Patriarca, onde havia uma réplica em bronze do Moises de Michelangelo, aquele da história do “Parla!”.

Dizem que Michelangelo ficou tão estupefato com sua obra que achou que pudesse ter vida, golpeou com o martelo e pediu que falasse. Na creio que Moises tenha respondido. O que me impressionava naquela estatua era o tamanho do pé e os chifres. Porque aquele homem pezudo tinha chifres?

Íamos ali para grudar os narizes nas vitrines da Casa Fretin, esquina da rua São Bento com rua da Quitanda. Ver os microscópios, tubos de ensaio, equipamentos de laboratório, pernas, braços mecânicos e aparelhos médicos e odontológicos. Todos tão limpos, higiênicos, frágeis, e aqueles atendentes com aventais brancos como se fossem os médicos dos médicos.

Depois descíamos escorregando pelo vão das escadas rolantes até as bicicletas e todos os dias eram um dia de domingo.

Nei Schimada, 43, punk, poeta e dekassegui, escreve de Hamamatsu shi - Japão. É blogueiro da Estrovenga dos Corsários Efêmeros




Fotos: Flaviana Serafim e Gladstone Barreto