2 de fev de 2010

FLOH MURANO ESTRÉIA CRÍTICA NA SEÇÃO ARTE & CULTURA

Floh_rosto_2009
Arte & Cultura
Nossa amiga Floh Murano, arquiteta e historiadora da arte, estréia numa das novas seções do blog em 2010: a ARTE & CULTURA, comentando “A Morte de Sardanápalo”, de Eugène Delacroix.

Críticas, crônicas, artigos e outros textos sobre artes – em todas as suas formas – estarão na nova seção, além de dicas culturais em São Paulo.

Quer colaborar? Mande seu texto (ou release para divulgação de evento cultural) para o e-mail saopaulourgente@gmail.com.
clip_image002A MORTE DE SARDANÁPALO (Delacroix, 1827-1828 - Louvre, Paris)

Eugène Delacroix (1798-1863) foi um grande representante do Romantismo francês. Um revolucionário do ponto de vista técnico e colorístico, que se contrapôs à percepção clássica da cor, que a distribuía de acordo com os volumes, cada um em seu espaço, organizadamente, de acordo com o que era realmente imaginado ou observado. O movimento das cores e das formas representadas por Delacroix era ligado à temática romântica de suas obras: caçadas de animais, lutas, atrocidades históricas (orientais e gregas), desespero, luta pela sobrevivência e revoltas. O movimento era dado pelas pinceladas vigorosas, pelo momento da cena abordada e pelas figuras que muitas vezes se fundiam.

Delacroix possuía todas as particularidades do romantismo: subjetivismo, exotismo, sentimentalismo, dramatismo, pessimismo, derrotismo etc. Foi um grande admirador de Lord Byron, Shakespeare e Dante. Sua arte era completamente dedicada à aplicação da cor e do movimento, e por ser um grande admirador de Byron[1], mergulhou no pessimismo romântico e no terror, abordando temas dramáticos, obscuros e pesados. No decorrer de sua vida envolvera-se profundamente com o oriente que conhecera quando em viagem ao norte da África. Em 1823 esteve no Marrocos, Tunísia e Argélia e neste período pintou cenas da história desses lugares. As luzes e cores ajudavam-no a potencializar os sentimentos de dor, desespero, raiva e do patético, características do romantismo.

Esta obra é criada a partir de uma tragédia de Byron, que conta sobre a lenda do último rei Assírio, Sardanápalo (Assurbanipal). Sardanápalo, ao ver-se derrotado e sabendo que iria morrer, manda matar todas suas posses vivas: suas mulheres, escravos, animais, para depois matar-se também. Aqui, notam-se claramente a obscuridade, a tragédia e a inclinação para a representação da crueldade que são peculiares ao Romantismo. Para agravar o quadro, Sardanápalo assiste às execuções, deitado em seu futuro leito de morte, tendo atirada aos seus pés uma de suas amantes. O erotismo se funde com a desgraça do sofrimento e da dor. Prazer e morte se confundem. Tanto o conteúdo quanto a forma desta composição possuem componentes intensos de um dramatismo absoluto.

O movimento vigoroso, os vermelhos, e até os cabelos jogados enfatizam o luxo e a sensualidade ao mesmo tempo em que agravam a dramaticidade da cena. O fundo é todo preenchido desordenadamente com uma mistura de formas humanas, animais, cores brancas dos corpos nus iluminados, misturadas ao negro do cavalo e dos escravos, conforme a própria descrição de Byron. Uma simbiose de elementos que se integram e se contrapõem, formando um emaranhado de cores, situações, sentimentos e adornos. Tecidos coloridos, luxo, pompa e muita sensualidade fazem este momento dramático ainda mais pungente. A disposição pictórica em diagonal gera um movimento hierárquico: Sardanápalo está acima de tudo e de todos; soberano, reinando sobre a desgraça que ele mesmo ordenara.

Bibliografia:
ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna: Do iluminismo aos movimentos contemporâneos. Tradução:Denise Bottmann e federico Carotti. 10ª reimpressão. Cia. Das Letras.

FRIEDLANDER, Walter: De David a Delacroix. Título original: David to Delacroix Editora: Cosac & Naify Edições, 2001, São Paulo. Tradução: Luciano Vieira Machado.

TURNER, Jane. From David To Ingres: Early 19th Century French Artists Copyright 2000. St. Martin’s Press, Scholarly and Reference Division. First published in the USA in 2000. Printed in great Britain. Groveart.
Webgrafia: http://www.spanisharts.com/history/del_neoclasic_romant/i_romanticismo.html

[1] Lord Byron foi um dos principais poetas ultra-românticos.

8 comentários:

  1. Fiquei impressionado com a descrição deste quadro e da figura de Sardanápalo! E você acabou criando um clima maravilhoso, como se fosse algo em movimento, como num filme...
    Sardanápalo... mais uma que aprendí, viu!? Adorei o texto, bastante agradável e, ao mesmo tempo, didático! Na semana que vem, estarei por aqui aguardando novidades... um beijo.

    the Osmar ou, se preferir, sogrOsmar...rs... (e não estou fazendo média, detesto isso!)

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  2. Parabéns pela aquisição.
    Ótima estréia de Floh Murano.
    Clara

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  3. Mario Sergio Cambraia13 de fevereiro de 2010 18:17

    Parabéns esta moça sabe doque está falando. O seu blog ficou sem atualizar muito tempo.

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  4. Sr. Mario Sergio,

    Vamos retransmitir seu comentário para a Floh Murano. O blog realmente ficou um tempo sem atualização, mas está voltando ao ritmo paulistano em pleno carnaval!
    Agradecemos por acessar o São Paulo Urgente,

    Flaviana Serafim e Gladstone Barreto

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  5. Que aula em...Puxa, vão continuar né?!!!

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  6. Obrigada pelos posts elogiosos =)))
    Fico muito contente.
    Abs
    Floh

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  7. Querida Floh ,adorei os quadros e temas comentados , quando vamos ter mais ? com certeza vou acompanhar.

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  8. Flora, bela análise e apresentação da obra. Você fala com proriedade e beleza.
    Estou como os outros aguardando a próxima.
    Abraço,
    Caru Duprat

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