21/08/2009

NO PASSADO, UM LIXÃO. NO PRESENTE, UM LIXO. NO FUTURO…?

A Grande São Paulo

Reportagem Especial Sítio Joaninha:

Lixão do Alvarenga foi fonte de renda e alimentos durante 30 anos

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"Novo" lixão do Sítio Joaninha, na divisa de Diadema e São BernardoFoto: Flaviana Serafim

A comunidade do Sítio Joaninha nasceu a partir de uma invasão de terras próximas da represa Billings, o maior reservatório de água da região metropolitana de São Paulo. O nome, Joaninha, vem de uma das primeiras moradoras.

Na década de 80, o sítio ainda era uma bela área verde, cheio de árvores frutíferas, eucaliptos, muitas plantas e animais. Porém, uma enorme área do sítio foi ocupada pelo lixão do Alvarenga, recebendo resíduos da capital, região do ABC e litoral.

O lixão do Alvarenga funcionou ali por 30 anos, até ser fechado no ano 2001. Por três décadas a população do sítio cresceu, literalmente, sustentada pelo lixo: os moradores vendiam os materiais do lixão, levavam objetos dali para suas casas e comiam alimentos encontrados no lixão.

O fim do lixão do Alvarenga, há 8 anos, seria o fim dos problemas no sítio? Não. Acreditem: os moradores se revoltaram com a perda de sua única fonte de renda. Na época, nenhuma alternativa foi apresentada aos centenas de catadores de lixo. Receberam R$ 180,00 por família, pagos durante alguns meses pela Prefeitura de Diadema.

Era de se esperar que algo mudasse – para melhor - na vida dessas pessoas com a retirada do lixão do Alvarenga, já que a medida teve forte impacto social e ambiental. Mas nada, nadinha mudou por lá.

Pelas ruas do Joaninha…

Foto: Flaviana SerafimCasas próximas ao "novo" lixão do Sítio Joaninha. Foto: Flaviana Serafim

Nas ruas, abertas há anos pelos próprios moradores só com enxadas e boa vontade – nada de asfalto até hoje. No calor, a poeira sobe pelos ares, contamidada com esgoto e resíduos de lixo. Quando chove é impossível subir e descer as muitas ladeiras do Sítio Joaninha. As crianças não vão para a escola. Só mesmo os adultos é que enfrentam a lama e a sujeira para ir ao trabalho.

Ônibus? Nem pensar. Poucos automóveis circulam ali e são quase sempre velhos, desgastados e sujos. Num dos pontos mais altos do Sítio há um desmanche de carros roubados, com modelos velhos - provavelmente para venda de peças - e via-se alguns mais novos, como um Fiat Palio em bom estado. Polícia? Passa tão longe do Joaninha quanto os ônibus…

Água encanada? Que luxo seria! Caminhões-pipa passam semanalmente para abastecer os moradores. Algumas famílias têm caixas d’água. Outros improvisam guardando o precioso líquido naqueles tóneis azuis – sim, aqueles usados para guardar produtos químicos – ou em tambores de metal igualmente tóxicos e inapropriados. Taí – “INAPROPRIADO" – outra palavra inútil para nos referirmos a este lugar esquecido.

Correios? Quem mora no Sítio Joaninha não pode nem receber uma carta…

Leia mais sobre o Sítio Joaninha:
- SEM LUZ, SEM ÁGUA ENCANADA, SEM TRANSPORTE, SEM ASFALTO: A 45 MINUTOS DA AV. PAULISTA, 600 FAMÍLIAS VIVEM NO SÍTIO JOANINHA

Texto: Flaviana Serafim e Gladstone Barreto – Fotos: Flaviana Serafim

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