21 de ago de 2009

SEM LUZ, SEM ÁGUA ENCANADA, SEM TRANSPORTE, SEM ASFALTO: A 45 MINUTOS DA AV. PAULISTA, 600 FAMÍLIAS VIVEM NO SÍTIO JOANINHA

A Grande São Paulo

Reportagem Especial Sítio Joaninha

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Fomos até a divisa de Diadema e São Bernardo do Campo mostrar a comunidade que nasceu, cresce e vive no lixo
Sr. José da Foice atende a campainha, joga a chave do alto da casa e logo nos convida para uma partida de dominó. O “barraco” é um sobrado de dois andares, com escadas estreitas, varanda e muitas redes espalhadas. Entre uma jogada e outra, perguntamos há quanto tempo ele mora por ali:

_ Moro no Sítio Joaninha há 15 anos – responde Sr. José, homem negro de meia idade, usando boné branco, calça jeans, camiseta meio surrada e óculos de armação dourada. A casa, como explica Sr. José, foi construída exatamente em 1 ano e 4 dias. Na garagem, espaço para um pequeno salão de beleza, quase improvisado. Mas há poucos metros dali, os barracos são barracos mesmo – não casas de alvenaria, com direito a varanda e redes para descansar, como a de Zé da Foice.
Ruas sem asfalto e com esgoto a céu aberto. Foto: Flaviana Serafim.Ladeiras do Sítio Joaninha. Foto: Flaviana SerafimSem energia elétrica, os "gatos" são a única fonte de luz para comunidadeSem energia elétrica na comunidade, postes improvisados se proliferam para levar luz ao Sítio Joaninha.  Foto: Flaviana Serafim
Na divisa de Diadema e São Bernardo do Campo, dois municípios bem estruturados e cheios de indústrias, cerca de 600 famílias vivem no Sítio Joaninha: sem água encanada, sem esgoto, sem coleta de lixo, sem escolas, sem asfalto, sem transporte, sem posto de saúde.

Luz? Só graças aos “gatos”, ligações “irregulares” de energia elétrica, com postes improvisados e, em alguns pontos, com fios a menos de um metro do chão ou completamente emaranhados. É preciso escrever ligação “irregular” de energia elétrica - entre aspas - porque, afinal, o que é IRREGULAR? Os “gatos” de luz ou mais de 3.000 pessoas vivendo tão precariamente?

Este cenário de pobreza, abandono e descaso está a apenas 45 minutos da avenida Paulista, e em São Paulo, Estado mais rico do Brasil, considerado “motor” da nação brasileira…

É lógico que os problemas do Sítio Joaninha estão fora da mídia, fora da agenda política e ambiental. Só descobrimos esse lugar graças um grupo de jovens do Projeto Olhar Social, desenvolvido em Diadema pela organização não governamental Rede Cultural Beija-Flor.

A partir do resgate das memórias do moradores do Joaninha, os jovens do Olhar Social estão organizando um livro e uma exposição multimídia que revele ao mundo as mazelas do sítio. Mas essas é outra história que ainda publicaremos neste blog.
Texto: Flaviana Serafim e Gladstone Barreto, com informações do Grupo Olhar Social/Rede Cultural Beija-Flor - Fotos: Flaviana Serafim

3 comentários:

  1. Tudo que foi postado no blog é verdade. Sou morador de um condomínio próximo dessa área e a situação dos moradores do Sítio Joaninha realmente é muito precária.
    Neste pacote de projetos do governo federal (PAC) está prevista a retirada dos moradores deste local. Vamos esperar.

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  2. Infelizmente é nossa realidade, minha, da minha familia e de centenas de moradores.
    Acreditamos em um futuro melhor, que não seja para nós e sim para os nossos filho!!

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  3. sítio joaninha é uma realidade sim sou morador dessa região, e esta aí a vergonha de uma política e uma infra estrutura de baixo nível, e, é o espelho e o rosto de dirigentes do próprio estado.

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