19 de out de 2009

“PESSOA COM DEFICIÊNCIA” NÃO É “DEFICIENTE”

Leonardo e seu desafio diário para se locomover pelas ruas de São Paulo. Foto: David Feder Povos de São Paulo, tribos do mundo

Na 2ª parte da entrevista ao blog São Paulo Urgente, o jornalista Leonardo Feder avalia o mercado de trabalho para pessoas com deficiência e conta a estória de seu livro “O Enigma do Assassinato das Idosas”, um suspense juvenil que publicou aos 15 anos.

Léo também deixa claro: “Deficiente’, como substantivo, é conceitualmente equivocado, leva a pensar que a pessoa é ou se define por sua deficiência”, explicou.

Leonardo Feder e seu desafio diário
para se locomover nas ruas de São Paulo

6 - "Deficiente físico" ou "portador de mobilidade reduzida"? O que você acha destes termos? "Deficiente" é um conceito ruim ou não? "Mobilidade reduzida" é eufemismo ou um termo mais adequado?


Leonardo Feder:
O termo mais adequado, segundo o politicamente correto e as normas mais recentes publicadas sobre o tema, é “pessoa com deficiência”. O termo “deficiente”, como substantivo, é conceitualmente equivocado, leva a pensar que a pessoa é ou se define por sua deficiência. “Mobilidade reduzida” me parece um eufemismo ou uma generalização que não explica nada. Num texto “sério”, a recomendação é usar o politicamente correto para não transmitir uma ideia errada...

Numa conversa informal, se o uso de termos “incorretos” não indicar preconceito, mas for apenas uma forma de simplificar, eu, pessoalmente, não vejo problemas e não me incomodo. Mas há termos que já estão embebidos no preconceito e não devem ser usados, como “aleijado” ou “incapaz”. A grande discussão é, a meu ver, nas peças humorísticas ou literárias que desvirtuam o politicamente correto e afirmam que é essa a sua função, serem subversivas, mas podem incorrer em preconceitos – o limite do bom gosto e do ruim é tênue, a ser analisado em cada caso e definido, algumas vezes, pela visão subjetiva de cada pessoa.

7 - E o mercado de trabalho? As empresas têm respeitado a porcentagem de contratações prevista em lei ou estão longe disso? Para você, quais são as barreiras que ainda impedem a contratação de pessoas com deficiência?

LeonardoLeonardo e seu desafio diário para se locomover pelas ruas de São Paulo. Foto: David Feder Feder: Não sei dizer se as empresas estão cumprindo a porcentagem de contratações prevista em lei. As barreiras que impedem a contratação de pessoas com deficiência são, na minha opinião, a falta de infra-estrutura acessível de alguns prédios e a falta de preparo dos empregadores para lidar com as necessidades que podem ser bem específicas.

Às vezes, pode ser preciso uma dedicação especial para a pessoa com deficiência se acostumar com o trabalho. É possível, ainda, que haja um receio de dar um cargo de responsabilidade para uma pessoa com deficiência ou uma dificuldade de adequá-la a uma função que pode e deseja exercer. Por parte da pessoa com deficiência, ela pode ter dificuldades de utilizar os transportes públicos e não ter dinheiro para pagar um táxi acessível. Há “n” fatores que podem dificultar a entrada da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, mas é necessária e, de algum modo, com maior ou menor esforço, deve acontecer.

8- Você é autor do livro “O Enigma do Assassinato das idosas” e destina a renda para a construção do Centro de Terapia Gênica em Ribeirão Preto. Do que trata seu livro e como as pessoas podem comprá-lo?


Leonardo Feder:
O livro “O enigma do assassinato das idosas” é um suspense juvenil, começou a ser escrito aos 13 anos. Tive ajuda da minha professora de português, Wania Sacco, para corrigir os erros. Aos 15, meus pais, para incentivar esse meu antigo hobby, pagaram uma gráfica confeccionar minha história num livro. Fizemos uma tarde de autógrafos no clube "A Hebraica". Foram 2 mil cópias, e o lucro da venda foi revertido para a construção do Centro de Terapia Gênica em Ribeirão Preto.

A história foi inspirada nos livros que misturavam intrigas policias e romances entre adolescentes que lia de autores como Pedro Bandeira, Stella Carr, Marcos Rey, Márcia Kupstas, Ivan Jaf, Luiz Galdino, Walcyr Carrasco, Rosana Rios, Ana Maria Machado, Agatha Christie, Sidney Sheldon e outros.

Minha história, que se passa em 1970, conta sobre uma investigação policial empreendida por dois adolescentes, Lucas e Afrodite, que estudavam num colégio cuja diretora foi assassinada em circunstâncias insólitas – morta por “congelamento”. Descobrem que outras mulheres idosas estão sendo assassinadas assim na cidade de SP. Os jovens terão que investigar o que essas mulheres têm em comum - o naufrágio do Titanic em 1912, ao bater num iceberg, é uma pista - para desvendar o enigma.

O personagem Lucas talvez possa ser visto como um alterego meu, pensando em retrospectiva – o nome dos pais dele, David e Ana Lúcia, é o mesmo que dos meus. Ele é idealizado; seu segredo é que tem poderes sobrenaturais, iguais aos do Superman – da série norte-americana da qual era fã. É uma história que dá para divertir.

O lucro do livro agora é destinado a Abdim (Associação Brasileira de Distrofia Muscular). Quem quiser adquiri-lo (R$ 11), pode escrever para leonardofeder@hotmail.com.

Leia também:
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Saiba mais:
Associação Brasileira de Distrofia Muscular – Abdim
http://www.distrofiamuscular.net/
http://www.distrofiamusculardeduchenne.com/

Texto: Flaviana Serafim e Gladstone Barreto -  Fotos: David Feder

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